#NuncaMás

#NuncaMás

Marcelo Rubens Paiva

25 de março de 2019 | 11h55

Enquanto Bolsonaro cria embaraços defendendo ditaduras do Cone Sul, times de futebol argentinos entraram em conjunto na campanha #NuncaMás, no Dia Nacional da Memória pela Verdade e Justiça, comemorado ontem, domingo, 24 de março.

Lá e aqui, a ferida não foi cicatrizada.

Lá, os times de futebol mais importantes e de maior torcida, Boca, River, Independiente, Rosário Central, Velez, Racing, Lanús, Estudiantes, divulgaram pelas suas redes sociais oficiais, em conjunto, mensagens de apoio ao movimento que repudia a ditadura que mais presos políticos desapareceu.

Aqui, Bolsonaro foi recebido pelo Palmeiras, no dia em que o time comemorava o justo campeonato brasileiro de 2018.

Evidentemente, o controverso e então recém-eleito presidente foi convidado oficialmente pelos dirigentes da equipe alviverde.

Apareceu na foto com os jogadores levantando a taça, como um membro da comissão técnica.

O time é dirigido pelo técnico Felipe Scolari, que já deu declarações polêmicas de apoio a Pinochet.

Na polarização política de 2018, times e jogadores apoiaram ou não Bolsonaro durante a campanha; jogadores do Palmeiras, Felipe Mello, como do rival Corinthians, Jadson.

Já a torcida Gaviões da Fiel, que viveu a experiência da Democracia Corintiana, estendeu uma faixa pedindo anistia durante a ditadura brasileira, posicionou-se contra o atual presidente, assim como outras.

O time Atlético Paranaense chegou a entrar com uma camiseta num jogo em Curitiba contra o América-MG, apoiando o então candidato. Apenas o ex-corintiano Paulo André, líder de um movimento que pede a democratização do futebol, não.

Na Argentina, não se questiona.

Em 24 de março, protestaram.

É o dia que, em 1976, começou a sangrenta ditadura comandada por uma junta militar, que incluía membros das três Forças Armadas.

E no Chile, Jair Bolsonaro elogiou a ditadura chilena.

Justamente na semana em que foram condenados pelo juiz Mario Carroza, quinta-feira, dia 21, os 11 ex-oficiais do Exército acusados no emblemático caso Quemados

O crime ocorreu em 1986, durante a ditadura militar.

O fotógrafo Rodrigo Rojas e a estudante Carmen Gloria Quintana foram queimados vivos depois de detidos, durante protesto contra a ditadura.

O presidente chileno, Sebastián Piñera, não gostou da declaração de Bolsonaro, que apareceu de surpresa num shopping da elite chilena, reduto de defensores do antigo regime de Pinochet.

Foi saudado e tirou selfies.

Em 1996, numa entrevista à rádio Jovem Pan, Scolari disse: ”Pinochet fez muita coisa boa também. Ajeitou muitas coisas por lá. O pessoal estava meio desajeitado. Ele pode ter feito uma ou outra retaliaçãozinha aqui e ali, mas fez muito mais do que não fez”.

E o ex-capitão do Exército brasileiro, atual presidente, prestou deferência a um torturador no dia da abertura do processo pelo impeachment contra a presa e torturada, ex-presidenta Dilma.

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