nós, pecadores

nós, pecadores

Marcelo Rubens Paiva

14 de maio de 2010 | 12h26

O Papa foi a Portugal, juntou 500 mil pessoas em Fátima, para condenar o casamento gay e o aborto, que foram liberados no país com fama de conservador, recentemente.

Tinha tanta coisa mais interessante para ele condenar. Perdeu a oportunidade.

Como por exemplo:

1. Pessoas que falam no celular num cinema ou elevador.

2. Pessoas que seguram a porta do elevador.

3. Pecadores que param em vagas para deficientes.

4. Buzina.

5. Vírus de computador.

6. Inventor da tampa de pasta de dente.

7. Receita Federal.

8. Pizza com catchup. E embalagem de catchup e mostarda [sache].

9. Pastel sem recheio.

10. Pecadores que não limpam as fezes na calçada de seus cachorros.

11. Mulheres que falam alto em bar.

12. Técnico que não convoca Ganso e Neymar.

13. Procuradora torturar criancinha adotada.

14. Clichês de novela brasileira.

15. Axé music.

16. Sistema Operacional Windows.

17. A repressão ao top less nas praias brasileiras.

18. Designers que usam algarismos romanos.

19. Quem joga bituca pela janela.

20. Operadores de telemarketing.

21. SAC de operadores de celular.

22. Sequestro relâmpago.

23. Embalagens de leite.

24. Nomes de pratos em restaurante japonês.

25. Amigos ladrões de isqueiros e canetas.

26. Baladas que só tocam eletrônica.

27. Baladas que só tocam sambinha de raiz.

28. Baladas que só tocam samba jazz e covers de Jorge Ben Jor.

29. Horário eleitoral.

30. Voz do Brasil.

31. SPC.

32. SPAM.

33. PCC.

34. Pedofilia.

35. Poltronas da classe econômica.

36. Barrinhas de cereais nos aviões.

37. Gatos carentes.

38. Pit bull.

39. Obras intermináveis de um vizinho.

40. Listinhas de pecados.

 

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eu e miles

Este é MILES, o gato mais na boa que já tive, e com quem mais tempo convivi.

Até eu passar 1 ano fora do brasil.

Na volta, ele estava louco.

Incuravelmente louco.

Pobre MILES.

Tive que mandá-lo para um hospício.

Uma casa de muitos moleques na Pompéia.

Até hoje, ainda sonho com ele.

Vão-se os gatos, ficam os potes de ração…

Certamente, a culpa é minha, pecador.

O que fiz de errado?

Por que MILES? Ora…

Miles

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Será que o nome influencia a construção da psiquê de um animal de estimação?

Devia ter chamado de PADRE MARCELO.

Comportado, calmo, religioso…

Ou seria pior?

 

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Se o Brasil fosse mulher, seria uma jovem imatura, linda, corpo mignon, jeito florido, tropical.

Conservadora, defenderia a pena de morte, o porte de armas, a proibição do aborto e eutanásia e a criminalização irrestrita das drogas, teses já abandonadas por colegas de sociedades mais elevadas (ou não) da Europa.

Não saberia se o casamento gay deve ser constituído com bases legais, e a adoção de filhos permitida. Na informalidade, até aceitaria. Nas paradas, ela se divertiria. Teria amigos gays. Seu cabeleireiro seria um.

Católica, admiraria religiões sincretistas. Receberia passes em cultos pagãos.

Às noites, noveleira, se trancaria em casa, para assistir ao desfecho de quem é o pai verdadeiro do galã.

Gostaria de música, dançar, festas. Não leria muito. Nem iria muito ao teatro. Não seria fã de estudos. Adoraria conhecer gente, fazer amigos, viajar, colocar o pé na estrada, ou no finger, se a cotação da moeda estiver favorável, uma emergente.

Mas cometeria deslizes morais, como comprar DVDs piratas e bolsas de grife falsificadas. E furar filas, se preciso. Não se comportaria muito bem no trânsito. Com seu charme inigualável, conquistaria muitos estrangeiros. Faria amizade com quem a maioria evita, o iraniano radical, o líbio excêntrico e o venezuelano autoritário.

Ideologicamente, não se definiria. Para ela, esquerda e direita seriam uma coisa só. Votaria na pessoa, não no partido, e depois das eleições reclamaria que todos os políticos são corruptos. Não teria muita clareza política.

Leria poucos jornais. Suas informações seriam baseadas no “ouvi falar”.

Preferências: cerveja, quitutes, comida não muito apimentada e saudável, praia ao invés de montanha, verão ao invés de inverno.

Contraditoriamente, teria uma vida sexual diferente dos padrões. Avançadinha, não controlaria a libido, nem seguiria uma rotina reprimida por tabus.

Aparentemente, seria uma pessoa aberta, esclarecida. Porém, teimosa como uma mula, não ouviria ninguém, presa em princípios contaminados por deturpações.

Seu senso de justiça não seria muito apurado. A coerência deixaria a desejar.

Esqueceria facilmente traumas do passado. Seu lema: olhar para o futuro, virar a página, perdoar. E não estaria nem aí para o que os outros iriam pensar.

Claro que é um perfil estereotipado, e nem de perto as mulheres brasileiras se encaixam nele.

Porém, de longe, nossa história mostra que pode ser traçado.

Basta ler os jornais.

 

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Queria indicar aqui a peça MÚSICA PARA NINAR DINOSSAUROS, no ESPAÇO PARLAPATÕES [sábado e domingo], do MÁRIO BORTOLOTTO.

Segundo a atriz LULU PAVARIN, pecadores, é a “peça com a maior quantidade de gostosa por metro quadrado”.

Não é pecado este comentário, é?

3 amigos que se encontram com 6 prostitutas em duas épocas diferentes da vida.

Um tratado sobre a solidão masculina, sofrimento que as mulheres não entendem.

 

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