Neymar se desculpa. Convence?

Marcelo Rubens Paiva

30 Julho 2018 | 10h55

Muito bom o texto do Neymar no comercial em que se desculpa.

Os redadores da agência estão de parabéns.

“Não dou entrevistas, não é porque quero ou louros da vitória, mas porque ainda não aprendi a te decepcionar.”

Baita sacada.

Louros da vitória. Bem olímpico, como um livro de futebol das glórias passadas.

Pena que não veio da boca dele, com as palavras dele, numa entrevista coletiva.

Pena que ele usa seu desabafo para vender lâminas de barbear.

Continua a utilizar a idolatria e o carisma para priorizar seu faturamento,

“Ainda sou um menino, e ele irrita às vezes, minha luta é para manter esse menino vivo”.

Menino?

Já é pai.

Duas copas do mundo.

Ganha mais de 700 mil euros por semana.

“Hoje estou aqui, de cara limpa e peito aberto.”

Faltou completar: numa inserção comercial no Fantástico paga pela Gillette, um dos meus patrocinadores.

Neymar tem razão, é o jogador que mais apanha no futebol, viveu alguns dramas de gente grande, uma vértebra fraturada numa quarta de final de Copa do Mundo, um pé fraturado nas vésperas de outra.

Cai, porque apanha e porque exagera.

Mas se ser ser outro homem, um novo homem, poderia começar a conversar de cara limpa, não por uma agência de publicidade, nem pelas redes sociais, mas cara a cara com as pessoas, encarando nos olhos, como todo homem grande e corajoso faz.