Netflix versus HBO e governo brasileiro

Netflix versus HBO e governo brasileiro

Marcelo Rubens Paiva

20 de agosto de 2015 | 11h51

BloodlineBar

 

Uma guerra fria é declarada entre as melhores empresas de conteúdo da TV on demand, Netflix versus HBO [correndo por fora, a AMAZON, que já anunciou a contratação de WODDY ALLEN].

Ambas anunciam investimentos milionários no gênero que domina o mercado, a série.

Fazem parcerias, produzem conteúdo próprio, emprestam a frequência para exibir produções de outras empresas, contratam os melhores do mercado, criam escola.

E anunciam coproduções com o mercado brasileiro.

HBO está há anos na frente, inclusive com parcerias no Brasil.

Erra e acerta a cada temporada.

Se errou feio na segunda temporada de TRUE DETECTIVE, decepcionante thriller sem o mesmo apelo psicológico e charme da primeira e sensacional temporada, volta a acertar com a estreia neste fim de semana de SHOW ME A HERO, do criador de The Wire e Treme, David Simon, com o diretor Paul Haggis, de Crash.

SHOW ME A HERO lembra The Wire, por tratar da segregação de negros e latinos em grandes centros urbanos.

Homenageia o simbólico sofá no meio de um condomínio popular de The Wire e aponta um dilema já no primeiro episódio capaz de viciar os fãs do gênero: um jovem prefeito destrona um velho cacique político graças a um mal-entendido do eleitorado.

HBO ainda exibe para os fãs babarem os anúncios de VINYL, para 2016, série sobre a indústria fonográfica de Nova York, de Scorsese com Mick Jagger, com roteiro de Terence Winter [Soprano, Boardwalk Empire], e da segunda temporada de THE LEFTOVERS.

E vem aí o genial THE KNICK, segunda temporada da série do Soderbergh [Cinemax].

Já no NETFLIX, vídeo por streaming, que começou bombando com HOUSE OF CARD, encontra-se escondida e sem a badalação no Brasil a série em 13 episódios BLOODLINE.

Já considerada por muitos como a série mais bem escrita em cartaz no NETFLIX, estreou em março de 2015.

Coproduzida pela SONY, ela aborda a conflituosa família Rayburn, dona de um resort paradisíaco em Key West, Flórida, cujo filho pródigo, um delegado de polícia, vê-se investigando o irmão e filho-problema, um traficante local.

Com elenco de primeira: SAM SHEPARD, SISSY SPACEK, KYLE CHANDLER, LINDA CARDELLINI [a Silvia, de MAD MEN] e a sumida CHLOË SERVIGNY, atriz que explodiu em KIDS e ganhou uma tranca na geladeira, depois de filmar uma cena de sexo oral com seu namorado, Vicent Gallo, no filme THE BROWN BUNNY.

Mas deu no caderno LINK que, por pressão de radiodifusoras, o ministro das Comunicações, Ricardo Berzoini, quer enquadrar o Netflix com regras de regulações nacionais, exatamente quando o serviço de vídeo por streaming anuncia as primeiras produções brasileiras para 2016.

Para Berzoini, “o Netflix já ultrapassou em faturamento a Rede Bandeirantes e a RedeTV! e não gera praticamente nenhum emprego no País”.

“Se a lei da TV por assinatura gerou milhares de postos de trabalho, esse tipo de serviço subtrai empregos do País”.

Para o ESTADÃO a Netflix disse que está baseada no País e “paga todos os impostos devidos”.

Ainda aguarda decisão da Ancine sobre obrigatoriedade de serviços online terem que pagar a taxa Condecine, Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional.

Esperamos que se acertem logo.