Não vamos crescer, mas emburrecer

Não vamos crescer, mas emburrecer

Marcelo Rubens Paiva

22 de abril de 2019 | 12h13

Por que cultura não pode ter subsídio? Liste de cabeça setores da economia brasileira que têm.

Igrejas. Transporte público. Zona Franca de Manaus. Mercado exportador. Bancos. Educação. Agronegócio.

Luz para o setor agropecuário. Água e energia (o consumidor pagará R$ 17,187 bilhões em 2019, valor aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica para que seja possível cobrir o orçamento da Conta de Desenvolvimento Energético, descontos tarifários e empréstimos subsidiados).

Diesel. Táxis.

Agora pense no ÚNICO setor, pouco lucrativo, que transporta ideias, ilumina a alma, emprega centena de milhares e sofre diariamente críticas e desgaste do novo governo e agregados.

O nome é CULTURA.

Sintomático? Intencional. Projeto de Estado?

Lei Rouanet, que quem critica não sabe exatamente como funciona, audiovisual, livros: tudo sob ataque.

Aposta-se na ignorância, falta de debate, críticas, trevas, consumo fútil. Não vamos crescer. Vamos emburrecer.

Tivemos protecionista na ditadura. Sarney protegeu o setor de informática.

No governo Lula, a era do subsídio foi inaugurada pelo setor de material de construção. Passou pela indústria naval, de petróleo.

Liste de cabeça setores que tiveram uma massa de isenções que acabou até prejudicando toda a economia no governo Dilma.

O Brasil destinou R$ 723 bilhões com subsídios para o setor privado no período de 2006 a 2016, segundo ex-secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, Mansueto de Almeida.

Até 2016, empresas que fabricam semicondutores, computadores e equipamentos de automação industrial deixaram de pagar R$ 55,7 bilhões em impostos. Em 2017, o Ministério da Fazenda afirmou que os subsídios da União totalizaram R$ 354,7 bilhões (5,4% do PIB, mais de duas vezes e meia do déficit primário).

Mas só a atividade cultural é mamar no Estado.

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