Não salva um?

Não salva um?

Marcelo Rubens Paiva

27 de abril de 2009 | 12h28

Agora é a grande Daniela Thomas quem pede para divulgar a campanha que, pelo visto, vem do Rio. Desiludidos pela distribuição de passagens a amigos/familiares feita pelo Gabeira, o último ético?

Não sei se concordo com ela. Não acho que o problema seja pessoal, mas estrutural. Tirem os 500 e tantos, e virão outros 500 e tantos com os mesmos vícios e privilégios, vivendo numa ilha de fantasia de orçamento sem controle e ilimitado. E escolheríamos corretamente os 500 e tantos da próxima eleição? Se não escolhemos na anterior, por que seria diferente?

Poder é entorpecente. Gabeira e tantos outros vivem viajandão, dopados por um poder que dissipa a fronteira entre certo e errado, moral e amoral. Os gabinetes fechados e a gastança histérica os trasformam em seres mutantes, semideuses, que se afastam de nós.

Aliás, não fomos nós quem os colocamos lá? Bem, não tenho moral alguma. Votei no Zé Dirceu em 2002. Fritarei no inferno.

O problema do Brasil é que os 3 Poderes não têm fiscais. Onde eles estão? Ah, sim, somos nós, o povo. Quem escolhe nossos líderes. E somos inelegíveis. Não se vota em nós, o povo. Não podem nos trocar a cada 4 anos. Essa matemática não fecha: executivo + judiciário + legislativo = povo.