Não é obrigado a torcer

Não é obrigado a torcer

Marcelo Rubens Paiva

09 Julho 2018 | 11h19

Seu time saiu da competição.

E agora, o que fazer?

Torcer para o algoz (Bélgica), para a zebra (Croácia), para a tradição (Inglaterra) ou o futebol mais bonito (França)?

Não é obrigado a torcer.

Pode assistir aos jogos como um observador do melhor futebol praticado.

Pode torcer para Mbapée (da França de Griezmann), moleque bom de bola, gente boa, de origem humilde, e que apesar da idade já apoia projetos sociais na periferia em que nasceu.

Colega de Neymar no PSG, é o candidato a melhor da Copa.

Pode torcer para a mistura de nacionalidades da Bélgica, de nomes de origem africana, como Lukaku, Batshuayi, de Januzaj, do Kosovo, Dembélé, cujo pai é de Mali, Fellaini, Hazard e Chadi, de origem marroquina.

Uma África no coração da Europa, que hoje expulsa africanos, elege governos duros contra a imigração e xenofóbicos.

Torcer para Bélgica seria torcer para a tolerância étnica, para a inteligência técnica que eliminou o Brasil num nó tático e para Kompany, o zagueiro de ascendência congolesa, líder carismático, que sempre é lembrado para disputar a presidência do país europeu.

Na geopolítica, torcer para a Croácia é torcer para o país que, no passado, teve uma organização mais nazista e aterrorizante do que os próprios, a Ustasha.

Mas isso é História.

A Croácia, do craque Moldric, é governada por uma torcedora fanática, Kolinda Grabar, e populista.

E é o time da camisa bonita.

A Inglaterra de Kane e John Stone e da torcida mais animada (que não foi à Rússia por questões políticas) há tempos não ia tão longe, com um time leve, habilidoso.

Torcer para a final França x Inglaterra é torcer para uma série enorme de implicações históricas entre dois países que se alternam entre a aliança e a guerra.

Torcer para uma final Bélgica x Croácia é admitir mais um país no seleto grupo de campeões mundiais.

Que a sorte seja lançada.

Divirta-se.