MP manda prefeitura comprar Parque Augusta com dinheiro de Maluf

Marcelo Rubens Paiva

13 de fevereiro de 2015 | 13h10

Parque Augusta pode ser comprado com dinheiro do Maluf

Seria a grande ironia do final desta história, já que, com o dinheiro do administrador e engenheiro “passa-trator”, que cobriu praças com viadutos, avenidas históricas com elevados, desmembrou parques e aterrou rios, São Paulo ganharia um parque.

Depois de uma semana de negociações, o Ministério Público Federal se reúne hoje com advogados e militantes que defendem a compra do terreno da Rua Augusta, para anunciar que obrigará a Prefeitura de São Paulo, que recebeu no final do ano passado um depósito de R$ 52 milhões feito pelo Deutsche Bank, a comprar a área com o dinheiro.

O valor equivale à indenização por danos morais paga pelo banco, por ter movimentado dinheiro desviado de obras públicas durante a gestão de Paulo Maluf.

O Deutsche Bank no Brasil devolveu o dinheiro aos cofres municipais para não ser processado pelo MP.

A Promotoria descobriu que 200 milhões de dólares que seriam da família Maluf passaram por contas do banco alemão na ilha britânica de Jersey.

Seria dinheiro desviado da construção das obras da antiga Avenida Água Espraiada e do túnel Ayrton Senna, durante a gestão do ex-prefeito Paulo Maluf, entre 1993 e 1996.

Três bancos já separaram, em 2014, R$ 164 milhões ao município de São Paulo: Safra NY, UBS e Citibank. Eles aparecem no emaranhado de transferências bancárias para o pagamento de dinheiro desviado de obras de Maluf quando prefeito.

Além do mais, a Justiça de Jersey condenou as empresas atribuídas à família Maluf a devolver 33 milhões de dólares para a Prefeitura de São Paulo. Cerca de 10 milhões deles já voltaram para o Brasil.