Movimento livre do quê?

Movimento livre do quê?

Marcelo Rubens Paiva

27 Março 2017 | 10h44

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Aprendi em quatro décadas de militância nas ruas, que começou em 1970, que se a pauta de um movimento não é clara, seu fracasso é iminente.

O MBL (Movimento Brasil Livre) merece respeito.

Mobiliza como poucos.

Levou uma multidão nas ruas para pedir o impeachment de Dilma.

Com seus aliados, conseguiu derrubar um governo há quatro mandatos no Poder.

No entanto, sua recente demonstração, chamada de “fracasso” pelos adversários, “baixa adesão” pelos simpatizantes, prova que a luta dispersou.

Foi a blindagem ao Governo Temer, que tem ministros citados na Lava Jato?

Faltou o pixuleco do Temer?

Ontem, manifestou-se em prol e contra bandeiras que não são unanimidade nem numa direita organizada.

  1. Pela Lava Jata. E alguém é contra? Pode-se questionar os abusos e vazamentos cometidos pelo MP e juiz Moro, a ausência de tucanos na cadeia, mas todos querem uma investigação a fundo da corrupção que se instaurou e atrapalha o desenvolvimento do país.
  2. Pelo fim do foro privilegiado. Nesse ponto, também se encontram poucos adversários, a não ser os que têm foro.
  3. Pelo fim do desarmamento. O que esta pauta, tentativa de diminuir a violência urbana, encabeçada pela OAB, faz entre as outras? A não ser que o movimento receba financiamento da indústria do armamento, não orna, e não agregará aliados.
  4. Pelo fim do imposto sindical. Por quê? O direito legítimo de organizar em sindicatos, conquista da Constituição de 1988, é questionado?
  5. Não à proposta da lista fechada. Outra pauta pouco debatida, que nem entre os interessados é unanimidade.
  6. Não ao financiamento público de campanha. Interessante, mas sem o financiamento privado, como se faria política no Brasil de 200 milhões e ação? Ou se quer o fim da política?
  7. Por reformas justas que acabem com privilégios. Quais? Privilégios de quem, do setor público ou privado. Dos juízes? Nota da Veja:

“O salário dos juízes no Brasil tem um teto. Não pode ultrapassar o salário de ministros do Supremo Tribunal Federal, o STF, hoje em 33.763 reais. Na prática, já se sabe há um tempo, não é bem assim. Um levantamento conseguido pelo jornal O Estado de S.Paulo mostra que a correlação é bem mais desproporcional. Um desembargador em Minas Gerais ganha, em média, líquido, 56.000 reais por mês. Em São Paulo, 52.000 reais. No Rio de Janeiro, 38.000 reais. Esses valores superam os pagos a um juiz similar no Reino Unido, que recebe cerca de 29.000 reais, e até dos Estados Unidos, cujo salário mensal médio é de 43.000 reais. Chega a ser superior a juízes da Suprema Corte de países da União Europeia, como Bélgica e Portugal.”

  1. Não à anistia ao Caixa 2. Boa pauta. Se apenas esta fosse a bandeira, talvez até a esquerda estaria presente com suas camisetas vermelhas. Se não fosse recebida aos tapa.

A foto da capa da comunidade do Facebook do MBL [acima]  já demonstra a confusão ideológica.

Merece respeito: mais de dois milhões de seguidores.

No entanto, o que Senna faz ao lado de Machado de Asis, notório republicano, acompanhado da família real brasileira, Tiradentes, morto pela Monarquia, bandeirantes, cuja idoneidade é questionada hoje?

E os quatro mortos do movimento separatista 9 de Julho. Ou seria da FEB?