Movimento aponta falhas em projeto no Parque Augusta e acusa Conpresp

Movimento aponta falhas em projeto no Parque Augusta e acusa Conpresp

Marcelo Rubens Paiva

28 Janeiro 2015 | 11h13

Em nota, movimento que defende o Parque Augusta, Organismo Parque Augusta, acusa Conpresp e prefeitura de descaso com o parque e a decisão do conselho de liberar a construtora proprietária do terreno para construir três torres.

“A notícia de que o Conpresp (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo) aprovou a construção de 3 torres no Parque Augusta (terreno de 25 mil metros quadrados no centro de São Paulo, com última área nativa da Mata Atlântica livre de empreendimentos imobiliários), infelizmente não nos surpreende. Já tentamos diversas vezes diálogo com a presidente do conselho, Nádia Somekh, que sempre nos disse que o projeto da Setin & Cyrella seria feito.

Nos espanta, sim, o descaso da Prefeitura de São Paulo e dos órgãos públicos, não só com o terreno, mas também com a saúde de sua cidade e de seus cidadãos. Para ficar claro: o novo projeto continua sendo ilegal.”

Segundo os ativistas, as falhas do projeto aprovado pelo Conpresp são:

 

  • 46 árvores seriam retiradas do local. No projeto das construtoras, árvores novas nessa área a serem replantadas são meramente ilustrativa, já que estão logo acima do subsolo sem profundidade suficiente para o replantio, permanência e crescimento das raízes (imagem 1 e 2 abaixo).

 

  • Segundo a matrícula do terreno (12.953), a parte maior do terreno (16.133m²), que tem frente para a rua Augusta, a taxa de ocupação máxima permitida é de 25%. O projeto em aprovação pelo Conpresp possui 33% de taxa de ocupação. (imagem 3 abaixo)

 

  • Segundo a matrícula do terreno (12.953), o único tipo de construção permitido é um “conjunto turístico constante de hotel e respectivas dependências”. O projeto em aprovação do Conpresp é um empreendimento de uso misto residencial e comercial. Não obedece, portanto, as exigências da matrícula do terreno (imagem abaixo).

 

  • O projeto aprovado pelo CONPRESP não tem o novo TCA – Termo de Compensação Ambiental, emitido por DEPAVE, prevendo compensação arbórea de plantio de vegetação dentro dos mesmos lotes referidos de forma legítima e adequada. Sendo assim, a aprovação pelo CONPRESP é ilegal.

 

  • O levantamento da área verde usada como base para a aprovação do projeto no CONPRESP data de meados da década de 90. Não está sendo considerada o levantamento da área real e atual. Nas duas décadas que se passaram, a área verde se regenerou, aumentando o que é considerado área de bosque (última imagem abaixo).

 

imagem 3 (indicação de retirada das árvores no projeto) imagem 4 (ilustração das árvores retiradas) imagem 5 (trecho da matrícula 12.953) imagem 6 (documento de resposta do Conpresp) imagem 7 (área verde desatualizada - base do projeto aprovado)

 

 

O organismo lembra que o Conpresp autorizou a construção no mesmo dia em que São Paulo recebeu a notícia de que teremos um racionamento de água de, provavelmente, cinco dias por semana. “Cada quilo de cimento utiliza 35 litros de água. Imagine a quantidade de cimento necessária para a construção de três torres de até 45 metros de altura”, afirmam os ativistas.

Concreto ou o verde? Sombra da torre ou da árvore?

São as perguntas que os paulistanos devem se fazer.

“Estamos no parque há dez dias e só sairemos quando tivermos certeza de que ele estará livre de prédios e aberto. Nossa causa é legítima e, por isso, continuaremos lutando! Seguimos nossa vigília pelo parque aberto”, dizem.