MOSTRA!!!

MOSTRA!!!

Marcelo Rubens Paiva

21 de outubro de 2009 | 12h41

Amanhã começa a MOSTRA INTERNACIONAL DE CINEMA de SÃO PAULO. É o maior evento cultural da cidade, junto com a BIENAL. É imperdível.

A cidade ganha outros ares. O cinema, a paixão do paulistano, vira tema em todas as rodas. Surge uma ansiedade incomum, já que não se pode perder “o” filme “daquele” baita cineasta.

Você viu? Não viu?! Como não?!

Debates, festas, sessões, filas, tudo gira em torno do cinema. Garanto que até em sessões de psicanálise, os pacientes devem debater sobre os filmes que viram, deitados no divã.

Alguns, como eu, preferem aqueles de países distantes, cujas capitais não sabemos soletrar, sem legenda [com legenda eletrônica].

Aqui está a seleção para ser estudada com carinho, mas o que vale mesmo é trocar ideia com os amigos cinéfilos, pedir dicas das barbadas, e sacar quais estarão em breve em cartaz, para se evitarem filas e desperdício de tempo:

www.mostra.org

Nesse ano tem até filme com roteiro meu, documentário inédito sobre o POLANSKI, dia 27/10 no Cine Sesc [20h30]. E passa de novo nos dias 29/10 no Cine Olido [19h30], e 31/10 na Cinemateca [19h50], de acordo com a sempre atenta leitora CAMILA.

A abertura é amanhã, no AUDITÓRIO DO IBIRAPUERA, obra polêmica, que muitos foram contra, mas que se tornou um dos símbolos da cidade. Será exibido o filme À PROCURA DE ERIC, de Ken Loach, que já me adiantaram que é imperdível.

E depois terá um bate-cocha na THE WEEK; pra convidados, negão.

Bem, a abertura é uma das coisas mais maçantes do evento. Chata, mas necessária. Eu vou. Vou em todos os anos. Rever amigos e prestigiar esse evento por que todos do meio temos muito carinho, torcermos e nos sentimos parte e testemunhas.

Marcado para às 21h, começa sempre atrasado. A própria organização sugere que os convidados sigam de táxi, já que uma fila de carros e de “otoridades” se forma na entrada do parque.

Serginho Groisman é o host da cerimônia de abertura. Há anos. E nem cobra cachê. Então, sobem no palco representantes dos governos federal, estadual, municipal, dos patrocinadores, todos discursam, o que demora. Só falta um padre para nos abençoar.

A abertura do ano passado foi tão anticlímax, que chamaram a viúva de um cinesta japonês homenageado, ela subiu, falou em japonês, e ninguém entendeu, pois não havia um tradutor escalado.

Mas é sempre bom ver o alívio na cara de LEON CAKOFF, que deve ter arrancado os [poucos] cabelos durante o ano, para que tudo desse certo, e enfim chega o momento de parir e oferecer para a cidade essa mostra que ele começou sozinho em 1976, em plena ditadura, no auditório do MASP, e hoje se consolidou.

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Hoje tem sessão da minha peça A NOITE MAIS FRIA DO ANO no Rio, 21h, no TEATRO POEIRA.

Estreamos na semana passada. E quase perdi a estreia. Depois de dois dias montando o palco e ensaiando, fui para casa, desmaiei e acordei minutos antes. Voei. Cheguei em cima da hora esbaforido. Tocava o segundo sinal.

Não temos patrocínio, pagamos do bolso transporte e parte da hospedagem [aos 45 minutos do segundo tempo, o delicioso HOTEL MARINA nos ofereceu alguns quartos].

Sabemos que não iremos ganhar muito dinheiro. Certamente, saíremos no preju, já que estamos em cartaz no horário alternativo, porque parte do elenco está ou dirige outras peças aqui em São Paulo. Fazemos por amor ao Rio de Janeiro, cidade que admiramos e para quem queremos mostrar o nosso trabalho.

Foi uma das estreias mais nervosas que já vivi. Sei lá por quê.

Talvez porque apareceram muitos amigos e parceiros, como MAURINHO MENDONÇA FILHO [que dirigiu duas peças minhas e fará um filme baseado em uma peça minha, NO RETROVISOR, roteiro meu], FLÁVIO TAMBELLINI [que dirigiu para o cinema meu livro e roteiro, MALU DE BICICLETA], CAROL JABOR [que irá dirigir para o cinema ou TV o meu último livro A SEGUNDA VEZ QUE TE CONHECI], PAULO BETTI [que dirigiu a notória peça FELIZ ANO VELHO, produziu, através da CASA DA GÁVEA, 3 peças minhas e me levou para o teatro], MARCELO SERRADO [que atuou em peça minha e está envolvido em 3 filmes baseados em minhas obras], ORSCIOLLO NETTO [que com o BRUNO MAZZEO está envolvido na adaptação cinematográfica da minha peça E AÍ, COMEU?], e eu não queria decepcioná-los.

Estava lá LIONEL FISCHER, professor do TABLADO, grande crítico, que me deu o PRÊMIO SHELL de melhor autor em 2000, por E AÍ, COMEU?

Estavam as donas do teatro, as damas MARIETA SEVERO, que fazia ginástica com a minha mãe, quando morávamos no Rio, e ANDRÉIA BELTRÃO, que vi estrear no teatro no MANHAS E MANIAS e de quem sou amigo há… tempos.

Estava lá ADERBAL FREIRE, um mestre.

A imprensa carioca apareceu em peso. Os críticos, idem.

Aliás, só no Rio que os críticos vão na estreia, aquele espetáculo incomum, tenso, em que os atores estão conhecendo o palco, revendo o texto, reencontrando seus personagens [há mais de 2 meses não fazíamos a peça].

Vão na estreia e se sentam na cara do palco.

Aliás, a primeira a entrar no teatro foi a toda poderosa crítica BARBARA HELIODORA, que cruzou comigo pelo corredor, sorriu e disse: “Vim ver”. Peguei na sua mão e beijei: “Seja bem-vinda…”

Beijei a mão de um crítico?! Nada disso. Mas de uma senhora polemista de primeira, tradutora de Shakespeare, que já detonou 3 peças minhas [e quando detona, é pra valer], mas que elogiou muito NO RETROVISOR, o único texto meu de que gostou. 3 X 1 para o não.

Apesar de minha dramaturgia não cair no gosto dela, respeito. Tenho até certa simpatia por ela. Acho engraçado, quando ela me detona, ou detona outras peças. Ela tem humor. Que falta em outros críticos. Humor, para mim, é a maior qualidade de um jornalista.

A adaptação para o POEIRA não foi fácil, já que ele é um teatro de arena, e estávamos habituados ao velho e eficiente palco italiano. Mas rolou. Tá lindo.

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