mínimas

Marcelo Rubens Paiva

13 de abril de 2009 | 16h29

Minha amiga americana Laura Murray, que morou por aqui, estudou a prevenção de prostitutas brasileiras, foi modelo da DASPU, uma “dasputinha”, e agora faz doutourado na Universidade de Columbia (Nova York), me escreveu, depois de ler este blog: “Acho um luxo que você seja pago para publicar suas pequenas neuroses contemporâneas! Eu tenho que pagar para outros escutarem as minhas.”

Escritor tem essa vantagem. Nos pagam, não muito, para exorcizarmos. Mas, se a terapia surte efeito, é outra história.

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Sobre o filme FIEL:

1. Minha amiga Pena, palmeirense, foi com o marido Motta, corintiano, assistir ao filme sobre a saga do Corinthians. Se envolveu com a história. Acompanhou os depoimentos, foi pega pela trama. No entanto, nos momentos cruciais, enquanto o marido chorava, ela ria por dentro. Cutucava-o e dizia: “Já passamos por isso”.

Futebol é superior a tudo. Torcer é uma paixão que foge à compreensão. A linguagem do cinema foi incapaz de conduzi-la ao seu propósito. Que lição… Viva o futebol!

2. No sábado, no Shopping Frei Caneca, as sessões do FIEL lotaram. Na fila de ingresso, havia uma multidão com a camisa do Corinthians misturada ao público de outros filmes, pacificamente. Um sujeito, com a camisa do Palmeiras, estava entre eles. Não foi importunado. Nenhuma balburdia. Era uma fila de cinema, não uma arquibancada. Intessante paradoxo.

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Na ida para Cotia, em carreata, para a festa da atriz e amiga Paula Cohen, cruzamos com uma passarela chamada Zé da Silva. Meu amigo Rui Mendes riu. “Pretenderam homenagear a metade da população?”

De fato, os responsáveis pela obra puderam justificar na eleição posterior que a maioria dos eleitores foi homenageada na obra sobre a estrada Raposo Tavares. Sabedoria política.