Michael Jackson, monstro?!

Michael Jackson, monstro?!

Marcelo Rubens Paiva

02 de maio de 2019 | 11h48

A essa altura, você já foi convocado para opinar: o rei do pop era excêntrico ou monstro?

Depois de assistir sem desgrudar os olhos da tela às quatro horas do documentário Deixando Neverland (HBO), fico com a segunda alternativa.

Foram ao todo quatro garotos que o acusaram: Wade Robson, James Safechuck, Jordan Chandler e Gavin Arvizo.

Quatro!

No entanto, o fato de todos eles pedirem compensação financeira de um astro milionário deixou dúvidas quanto suas intenções.

Calma lá. Foram quatro garotos que não se conheciam, que descreveram o mesmo modus operandi de Michael Jackson:

Começa com uma amizade e admiração incomum.

Os pais são convencidos da pureza do gesto.

Todos se hospedam em Neverland, um sítio, uma espécie de parque afastado, com quartos escondidos em todas as alas.

Jackson pede para dormirem juntos (???!!!).

Ensina o garoto a despir-se e vestir-se rapidamente.

Vídeos pornôs.

Conversas francas sobre dificuldades de relacionamentos com os pais.

Masturbarem-se juntos.

Tocam-se.

Confiança estabelecida, o contato físico se intensifica: sexo oral, tentativa de penetração.

Jackson se enjoa, ajuda a família, compra casas, sustenta, e aparece dias depois de mãos dadas com outra criança passeando em zoológicos, parques, hospedado em hotéis de turnês, como se fossem namorados, tratado como sensível, apaixonado pela inocência infantil = wacko (maluco).

Wacko Jackson.

No filme, Wade Robson revela que começou a ser abusado com sete anos de idade. O imitador australiano mirim abandonou com a mãe deslumbrada e a irmã a família e se mudaram para Los Angeles, convencidos por Jackson.

Que dizia ao garoto que, se souberem do que fazem na cama, os dois iriam para a cadeia, e a vida de ambos estaria arruinada.

Abandonaram o pai depressivo, que se matou.

Mas Jackson tinha outros planos e os abandonou também. Wade se transformou num dos maiores coreógrafos de todos os tempos (ensinou Britney Spears a dançar). Só falou do abuso quando virou pai.

Como James Safechuck, ator mirim, que fez o lendário comercial da Pepsi com Michael Jackson, e que se abriu quando o filho alcançou a idade em que ele era abusado.

Wade achava que se amavam, como James. Ambos foram enganados pelo mestre das palavras e manipulação.

Que os convenceu a testemunharem a seu favor no processo que outro garoto, Jordan Chandler, 13 anos, moveu contra Jackson em 1993.

James disse à rede CNN na época que participava de “festas do pijama” inocentes. A família desistiu do processo depois de embolsar US$ 18 milhões, o que aumentava a suspeita de extorsão.

Em 2005, outro processo judicial. Outro garoto de 13 anos o acusava, Gavin Arvizo.

James se recusou a testemunhar. Então foi Wade quem testemunhou a favor de Jackson, com Macaulay Culkin, outro ator mirim, que também trabalhou com ele num clipe.

Apesar do segurança Rach Chacon, da faxineira Kiki Fournier, da empregada Adrian McManus, do caseiro Jesús Salas e do cozinheiro Philip Lemarc, pela acusação, testemunharem que viram o patrão beijando e molestando crianças em Neverland, assim como a comissária de bordo Cynthia Bell, ele foi inocentado por conta da tese “reasonable doubt”.

A mesma que inocentou O. J. Simpson.

Hoje, Wade diz que mentiu no tribunal.

Julgue você.

https://www.youtube.com/watch?v=R_Ze8LjzV7Q

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