mentirinhas

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Marcelo Rubens Paiva

25 de outubro de 2010 | 11h32

Interessante como no Brasil a discussão sobre o aborto atingiu um grau de histeria inquisitória.

Na maioria dos países, ele é liberado.

Mas a saúde pública e o número de adolescentes que morrem ou sofrem sequelas por causa de abortos clandestinos não serve de argumentos, para quem defende a sua descriminalização.

Por que nós somos diferentes?

A postura de Dilma e Serra sobre o tema envergonha quem os conhece.

Evidente que ambos, que vieram da geração 60, influenciados pela luta dos direitos civis, defendem uma coisa, mas propagam outra.

Dilma foi mais longe, em busca do voto de grupos religiosos fundamentalistas, e se colocou contra a união civil homossexual.

Duvido que ela realmente seja.

Chegou a assinar um patético compromisso que enumera as teses mais conservadoras do comportamento humano.

Agora, pergunto: Como fica o eleitor progressista, que defende a descriminalização do aborto e o casamento gay? Órfão, como sempre?

Será que os milhões na parada anual da Avenida Paulista não comovem?

Os candidatos se acovardaram e jogaram no armário suas convicções.

O foco é ganhar a eleição, independentemente do retrocesso que causam em discussões já adiantadas pela militância.

Quem for eleito, ganhará por seus méritos e algumas mentiras. A consciência pesará, ou o Poder é anestésico? 

 

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