lugar marcado

lugar marcado

Marcelo Rubens Paiva

14 Abril 2011 | 11h38

Capas dos jornais de hoje levam muitos leitores a uma pergunta óbvia.

FOLHA: “DILMA QUER FIM DO SIGILO ETERNO DE DOCUMENTOS”

O GLOBO: “MILITARES DA RESERVA QUEREM TIRAR DO AR NOVELA DO SBT SOBRE DITADURA”

ESTADÃO: “VAR-PALMARES PLANEJOU MATAR CHEFES MILITARES”

Em matéria de Felipe Recondo e Leonencio Nossa, de BRASÍLIA, O ESTADÃO mostra que

documento da Aeronáutica que foi tornado público nesta quarta-feira, 13, pelo Arquivo Nacional, após ter sido mantido em segredo durante três décadas, revela que a organização guerrilheira VAR-Palmares, que contou em suas fileiras com a hoje presidente Dilma Rousseff, determinou o ‘justiçamento’, isto é, o assassinato de oficiais do Exército e de agentes de outras forças considerados reacionários nos anos da ditadura militar.

Então existem documentos secretos guardados?

O conflito em torno da COMISSÃO DA VERDADE está anunciado.

Será interessante acompanhar.

O governo quer a liberação de documentos.

Das FORÇAS ARMADAS veio a resposta: liberarão os documentos que constrangem o governo.

Não vai ser fácil orquestrar esta queda de braço.

Será posto à prova quem manda afinal no País, e que tipo de regime temos.

No Egito e Costa do Marfim, os ditadores são presos. Na Argentina, idem. No Uruguai, o Senado derruba lei que anistiava militares envolvidos em tortura. Na Alemanha, nazistas foram julgados. No Brasil…

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Olha que ideia boa.

Só poderia vir de CURITIBA, cidade sempre à frente na inclusão social.

Ingresso do FESTIVAL DE TEATRO DE CURITIBA:

O CADEIRANTE tem lugar marcado.

Não é apenas mais um “sento ali naquele espaço?”, que sempre deixa os bilheteiros confusos.

Existe o lugar para o CADEIRANTE 1, 2, 3…

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Fim da tarde, combinei com um amigo assistir ao filme A ÚLTIMA ESTAÇÃO.

Marcamos o cinema e horário e ficamos de confirmar depois da sesta.

Quem me conhece sabe que cumpro o ritual da sesta diariamente e no mesmo horário.

Herança italiana.

No mais, boêmio profissional tem que tirar uma cochilada.

Acordei, liguei pro amigo, fui pegá-lo, e ele me mandou subir.

Tinha baixado e legendado o filme em 20 minutos.

Assistimos na sua TV gigante em  5.1 dolby.

Com 2 cachorros aos nossos pés.

Pirata?

Sim.

Um ato ilegal.

Que se torna rotina em todos os cantos.

Não sei mais o que dizer ou pensar sobre a bolchevização do conteúdo cultural.

Escritores, músicos e cineastas são os primeiros a perder.

Talvez, como diz o filme A ÚLTIMA ESTAÇÃO, sobre TOLSTOI e o movimento criado por ele e seus fãs, o tolstoísmo, um prenúncio do movimento hippie, sejamos contra a propriedade privada e bora viver em comunidade.

Aliás, este é o conflito do filme.

Enquanto o velho escritor quer liberar os direitos dos seus livros [GUERRA & PAZ, ANA KARENINA], para que as massas possam ler, sua esposa pergunta como sustentará a família e seus 13 filhos.

Bem atual…

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Semana passada fui fazer a leitura de um livro meu no episódio LEITURAS SABÁTICAS, da TV ESTADÃO, programa do RINALDO GAMA, e, ops, esqueci de levar um livro.

Não tive dúvidas.

Perguntei se alguém tinha um Aipédi, e encontramos as versões pirateadas de 2 livros meus em PDF e WORD.

Estávamos para começar, quando encontraram a edição nova de UA:BRARI na salinha do DANIEL PIZA.

Quase recorremos à pirataria para criar conteúdo:

http://tv.estadao.com.br/videos,LEITURAS-SABATICAS-COM-MARCELO-RUBENS-PAIVA,135132,253,0.htm

Como entender tantos paradoxos criados pela era do boom tecnológico de troca de informações?

Só sei de uma coisa.

Shopping só consegue ter movimento se tiver cinema e mega livraria.

RIO já faturou R$ 13,7 bilhões no primeiro fim de semana no Brasil, recorde [1,1 milhão de espectadores].

A rede mexicana de salas de cinema CINÉPOLIS desembarca com tudo por aqui.

Quer abrir 220 salas até abril de 2012.

Se a pirataria avança, as salas de exibição também.

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Fora Porto Alegre, BH e outras cidades, MALU DE BICICLETA continua sim em cartaz em São Paulo.

No Shopping Pátio Paulista, aquele no final da Paulista, às 17h20.

É a 14a. semana em cartaz.

Para quem quer ver na telona.

Filme que sai com 35 cópias é assim, vai pingando.

Só para comparar.

BRUNA SURFISTINHA saiu com 600 cópias.

RIO com 1.000.

E tem pouco mais de 3.000 salas de cinema no País.

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A exposição sobre o meu pai continua rolando no MEMORIAL DA RESISTÊNCIA.

Que foi preso pela AERONÁUTICA, morto no I EXÉRCITO e desaparecido.

Pra quem quer saber a nossa verdade.

Fica até junho.

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Este não dá para piratear.

É o espetáculo DNA- SOMOS TODOS MUITO IGUAIS, dos PARLAPATÕES, que estreia hoje no SESC.

Vou lá conferir os amigos e atores que já dirigi, HUGO e RAULZÃO.

Ver se continuam afiados ou estraguei com eles.