loucura + redes sociais

loucura + redes sociais

Marcelo Rubens Paiva

18 de março de 2013 | 12h55

 

As REDES SOCIAIS desenvolvem alguns desvios que se tornam epidemias.

O da citação é o mais notório.

Gandhi, Jabor, Veríssimo, Mário Quintana, Freud, Caio Fernando Abreu são as vítimas preferidas dos falsários.

Renato Russo e Cazuza dividem quase sempre a autoria de uma mesma frase.

Chorão morreu, e logo aparecem frases atribuídas a ele.

Mas uma ação mais danosa e perturbada surgiu recentemente, a de matar gente que não morreu.

O ator CARLINHOS MORENO foi a vítima do último fim de semana, aliás, fds.

O garoto propaganda da BOMBRIL ganhou até uma arte em que usuários compartilhavam tristeza pela sua morte.

 

 

Só tem um detalhe: ELE NÃO MORREU!

Resta saber o que passa pela cabeça da pessoa que espalha uma estupidez dessa?

A trolagem já é uma conhecida de todos.

Especialmente no Twitter, onde o anonimato é mais presente.

Aliás, escrevi outro dia: “Twitter lembra um pouco o trânsito brasileiro. Tem cara que pega o teclado e sai fechando, faz conversão proibida, xinga, chama pra briga.”

Pensando bem, trolagem é o nome novo para uma moda milenar, a difamação pública.

Imagine o que o pobre Jesus não ouviu enquanto carregava a cruz no seu martírio, ou quando estava pendurado nela. Nem o santo homem foi poupado.

Cleópatra foi difamada devido ao seu affaire com imperador César, que deu no bastardinho Cesarino, em ilustrações pelos muros de Roma.

Antonieta, coitada… Até hoje não se sabe se realmente disse “não tem pão, comam brioches”, ou foi invenção de um colunista mal-intencionado.

Galileu foi trolado. Até Shakespeare, acusado de plágio.

Se todos eles foram, imagine nós, simples mortais?

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