Legado olímpico vai além do lucro

Legado olímpico vai além do lucro

Marcelo Rubens Paiva

01 de agosto de 2016 | 12h20

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Olimpíada não é para dar lucro

Pronto, agora tem dados.

Olimpíada é para outra coisa, menos o lucro.

E é assim desde 1892, quando o Barão de Coubertin trouxe e readaptou os jogos da Grécia Antiga para os tempos modernos.

Quem prova é David Goldblatt no livro The Games: A Global History of the Olympics [W.W. Norton].

Depois de analisar 17 torneios, Goldblatt concluiu que só um deu lucro: o de Los Angeles em 1984.

Para Coubertin, Olimpíada, assim como na Grécia, servia à paz e promover os ideais do homem civilizado.

Mas David mostra que o verdadeiro legado é o do debate de preconceitos e integração e derrubar algumas ideias conservadoras do próprio COI.

Entre 1928 e 1968, mulheres não corriam mais de 200 metros, para não se cansarem.

Só em 1984 elas tiveram o direito a todas as competições.

Futebol feminino nem era esporte olímpico.

Se um negro, Jesse Owens, humilhou Hitler e as teorias de superioridade racial, na Olimpíada de Berlim, outros dois foram além.

No México em 1968, Tommie Smith e John Carlos fizeram o gesto dos Panteras Negras na premiação dos 200 metros.

Carlos com Muhammad Ali [também atleta olímpico] protagonizou a adesão de atletas americanos nas lutas anti-raciais.

Por sinal, Hitler gastou em 1936 mais do que gastaram a soma de todos os países anteriores.

Atenas em 2004 custou 5% do débito grego [US$ 16 bilhões]

África do Sul foi excluída dos jogos por causa do Apartheid.

A ideia de que uma olimpíada ajuda um povo a se mexer também não colou.

Depois de Londres-2012, menos pessoas fazem esporte do que antes.

Entre legado [metrô, estádios], há algo mais: cultural.

Algo que mexa com pilares da Civilização.

Qual será o do Rio de Janeiro?

alguns dados acima são da revista the economist