kubrick é eterno

kubrick é eterno

Marcelo Rubens Paiva

13 de outubro de 2013 | 00h22

 

Muita gente para ver a exposição de Stanley Kubrick, que abriu quinta no MIS em SP.

Muita gente, muito hipster, nerd, cineasta, cinéfilo, curioso, muito fã que aprendeu a gostar dos filmes do cineasta mais completo de todos e que nem tinha nascido quando a maioria dos seus filmes foi lançada.

Fila que dobrava quarteirão.

Kubrick é pop, é eterno, é inigualável, atual e, ainda bem, descobre-se, um perfeccionista- obsessivo que escrevia e rescrevia, rescrevia e escrevia, que demorava em média 3 anos para elaborar o roteiro de seu próximo projeto.

 

 

Exposição está imperdível.

Na primeira sala, descobrimos por que Kubrick era aficionado por lentes.

 

 

Antes de completar 20 anos, trabalhou como fotógrafo entre 1945 em 1950 para as revistas Life e  Look –  tinha um um pai que o incentivava desde pequeno.

Entendia de ótica como poucos, levou para O CINEMA truques da FOTOGRAFIA, e se diferenciou de muitos cineastas por isso.

Encomendava-as para cada cena, cada propósito. Inventava, como a enorme que capta luz de velas em BARRY LYNDON.

E tinha um equipe própria para limpá-las.

Espalhada por 16 salas, vê-se muitos objetos de cenas, roteiros com comentários.

 

 

Cada filme ganha um espaço temático.

Lá está a trincheira de GLÓRIA FEITA DE SANGUE. O público se sente num plano sequência, dos muitos que marcaram a obra dele.

 

 

Fotogramas de LOLITA

Dr. Fantástico.

O clima da nave de 2001.

 

 

O leite bar KOROVA, de LARANJA MECÂNICA, em que se bebia um leitinho batizado daqueles.

Com objetos de cena que deixariam os censores do FACEBOOK em alerta.

Um claustrofóbico corredor do hotel de ILUMINADO, em que, atrás de cada porta, revela-se uma surpresa. Primeiro grande filme a usar steadycam e criar um clima de terror psicológico que se banalizou hoje em dia.
Lá estão os figurinos de BARRY LYNDON e DE OLHOS BEM FECHADOS.

ATÉ UMA SALA COM ESBOÇOS DO SEU PROJETO QUE NUNCA SAIU DO PAPEL, NAPOLEÃO.

Programaço.

Para, lógico, correr para casa e rever algum dos seus filmes.

Ou lá mesmo, no MIS.

Porém, cuidado.

O que revi em casa foi justamente O ILUMINADO. Ao lado da mulher grávida.

A história de dois zeladores que, presos por 5 meses num hotel com a família, mata a machadadas os filhos e as digníssimas esposas.

A minha perguntou qual a moral da obra.

Não tive dúvidas: a decadência do formato do casamento como instituição.

Claro que ela achou que eu estava falando de nós.

Não.

Filme feito no começo da revolução sexual questiona a capacidade de uma tradicional família sobreviver como célula independente e por si mesma.

Aconselho a rever outro filme.

Evita-se terminar a noite em clima de tensão.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: