Jesus era um alcoólatra?

Jesus era um alcoólatra?

Marcelo Rubens Paiva

14 Setembro 2018 | 10h50

Cadeirante americano faz sucesso em stand-up comedy. Ou seria sit-up comedy?

E vai fundo nas provocações a mitos e tabus. Como no quadro ‘Jesus Was an Alcoholic’ (Jesus Era um Alcoólatra).

Lucas Waterfill ganhou vários concursos de stand-up, como o Morty’s Comedy Joint de Indianápolis, o mais importante do Midwest (região central dos Estados Unidos), produzido pela Comcast, uma das maiores companhias de TV paga do país.

Com paralisia cerebral, já é uma sensação no meio e lota os bares em que se apresenta e capa da revista New Mobility.

Avisa que não é engraçado no dia a dia, apenas no palco. Em que faz piadas sobre outro cadeirante notório, Franklin Roosevelt, ex-presidente americano.

Aproveitando-se do lugar de fala, divide os deficientes, que chama pelo termo pejorativo “aleijado”, em categorias, urrando com uma certa raiva dos “aleijados ativos, aqueles filhos da puta presunçosos fazem parecer fácil ser aleijado”.

Se é quieto, educado e fala baixo no contato pessoal, não tem medo de atiçar temas desconfortáveis para arrancar risos da plateia.

“Eu me sentia diferente, sempre me senti, por causa da minha condição física…. Então, comecei a beber, até virar um alcoólatra… E agora sou alcoólatra, vivo com eles, e me tratam como um bêbado carente, solitário. Já imaginou se Jesus Cristo fosse alcoólatra? Iria ao Alcoólatra Anônimo… ‘Olá, meu nome a Jesus, de Nazaré e, sim eu sou alcoólatra. Vou em festas e transformo água em vinho’.”

O garoto de 27 anos já deu shows para uma plateia de mil pessoas, como no Brew Ha-Ha Comedy Festival, e não se intimidou.

Formado em ciência política pela University Indianapolis, foi estagiário do senador Joe Donnelly (D-IN) e utiliza a política e o ativismo como tema de suas piadas.

Tem sempre uma tensão extra assim que ele entra no palco. Ele gosta dela. Tira vantagens dela. A cadeira de rodas chama a atenção.

A entrada, a dificuldade motora… Tudo enfim acaba fazendo parte do show de sete minutos, segundo a New Mobility. Explora as situações que quase todos cadeirantes enfrentam.

“Uma mulher se aproximou e me disse, ‘posso rezar para você?’. Claro que pode, LONGE DE MIM!… Privadamente, pode fazer o que quiser. Mas, não, ela colocou a mão no meu ombro e começou a rezar ali, no meio da rua.”