Irã ameaça boicotar Feira de Frankfurt.

Irã ameaça boicotar Feira de Frankfurt.

Marcelo Rubens Paiva

07 Outubro 2015 | 11h53

Khomeini

Khomeini

 

Irã ameaça boicotar Feira de Livro de Frankfurt, que começa semana que vem, na Alemanha.

O motivo: o convite para o autor Salman Rushdie falar na abertura.

Por causa do livro Versos Satânicos, Rushdie foi condenado a morte em 1989 pelo Ayatolá Khomeini, líder religioso do Irã, que morreu logo depois, sem abolir a pena.

Para o supremo líder da então nova república islâmica, o livro era uma blasfêmia contra o Islã.

O autor de ascendência indiana, com cidadania britânica,  relaxou as medidas de segurança e acreditou estar livre da condenação incomum 26 anos depois.

Foi Seyed Abbas Salehi, Ministro da Cultura do Irã, e o guardião das leis islâmicas, quem protestou contra a palestra de Rushdie, agendada para o dia 13 de outubro.

Em torno de 282 editoras iranianas, que no ano passado representaram 1.200 títulos, podem ser prejudicadas pelo boicote.

Quem achava que a birra contra o autor tinha terminado, depois do Irã anunciar uma reaproximação com o Ocidente, se surpreendeu.

Salehi diz que as reflexões e ordens de Khomeini nunca foram abandonadas.

Curiosamente, Rushdie fora premiado pelo governo iraniano por sua novela Midnight’s Children, cuja tradução foi indicada a livro do ano.

Na feira, ele lançará Two Years, Eight Months and Twenty-Eight Nights.

Os organizadores da feira garantem que a agenda será mantida, e a liberdade de expressão garantida.