Ir e vir

Ir e vir

Marcelo Rubens Paiva

16 de outubro de 2009 | 11h51

Por incrível que pareça, a primeira vez em que andei num táxi adaptado para cadeirantes foi em CURITIBA, cidade pioneira no transporte acessível para cadeiras de rodas, no começo dos anos 90.

Era uma KOMBI branca, com um elevador da ORTOBRAS, plataforma hidráulica que eleva a cadeira, feita no Rio Grande do Sul. Nem nos EUA havia o serviço. Era um rolo para os deficientes turistas ou locais se virarem por lá. Como era em todo lugar.

Pouco a pouco, o serviço se tornou um fato no mundo. Lógico, tem demanda, dá grana, todos saem ganhando. Até em Buenos Aires existem vans adaptadas. Qual a única cidade que não tinha? São Paulo.

Em Londres, sacaram que cabia uma cadeira de rodas em todos os táxis. Liberaram os carros para acoplarem rampas improvisadas em suas portas traseiras.

São Francisco inovou. Vans adaptadas servem aos deficientes e também pegam passageiros comuns. E esse modelo foi copiado pelas grandes cidades.

O cadeirante pode esperar passar uma van, esticar o dedo e parar o táxi, como qualquer passageiro. Ou telefonar para uma central, agendar e esperar.

Em Barcelona, eles chegam em meia hora. O passageiro de cadeira de rodas entra por trás. Fica bem encaixado no porta-malas. Nem é preciso amarrar a cadeira.

Em Madrid, também. O próprio motorista estica a rampa. E, ah, como em todos os lugares, a tarifa é a mesma de uma corrida comum.

Em Nova York, a rampa é lateral e traseira. O passageiro cadeirante fica entre o banco de passageiros e a divisória que o separa do motorista. Basta discar para o número 311, que eles vêm em uma hora. No aeroporto, nem é preciso agendar. Na fila de táxi, de cada dez carros, um é a tal van. Sim, eles pegam passageiros comuns e cadeirantes.

No Rio, o serviço já existe há 4 anos. Começou com um carro. Montaram uma cooperativa. A cada ano, mais carros foram comprados. Hoje, são quase 30, que fazem em média oito corridas por dia. E funciona 24 horas. Só ligar para (21) 3295-9606. No aeroporto, fica um carro de plantão. Estão adquirindo mais carros.

A diferença é que eles têm permissão de pegar apenas passageiros cadeirantes, e a tarifa é a de um táxi especial. A plataforma é mais elaborada, também made in brazil. A cadeira do passageiro é toda atada. Pode levar no máximo 2 acompanhantes. Mesmo assim, a demanda é grande.

Há anos, eu vinha fazendo pressão para que o serviço fosse regulamentado em São Paulo. Escrevi artigos, falei na minha coluna, me reuni com prefeitos, com o governador, dei sugestões.


FAZENDO LOBYZINHO NO PALÁCIO

Finalmente, neste ano, começou a funcionar o chamado TÁXI ACESSÍVEL em São Paulo. O processo foi mais complicado. Decidiram dar alvarás para algumas cooperativas e outros autônomos. Não existe um número de telefone que concentre as operações. É preciso ligar para vários números e ver qual tem um carro livre. A classe é desunida.

O serviço é mal divulgado. Pelo site da prefeitura, se descobre para quem ligar. São vários:

Paulo 8343-7998
Batista 9733-3374 ou 7832-1366

Associação das Frotas de Táxis Fone.: 3229-7688 / 3228-1400 / 3326-0505
Associação Fuji Táxi 2 Fone.: 5073-3600 / 5077-3999
Associação Delta Comum Rádio Táxi 1 Fone.:5072-4499
Metrópole SP Rádio Táxi Ltda. – ME 1 Fone.: 5575-6681
Associação Super Táxi dos Taxistas Autônomos 1 Fone.: 3982-6414

A coisa é tão mal feitinha, que alguns números acima, que peguei do site, nem funcionam. É preciso gastar um bom tempo para agendar um carro.


CARRO PAULISTA SENDO MONTADO NA OFICINA

A tarifa é a de táxi comum. O que traz prejuízo para os motoristas, que pagam uma fortuna pelo carro [R$90 mil com a adaptação] e não têm isenção. Nem podem andar na faixa de ônibus, como os táxis comuns.

O que tem levado alguns deles a questionar se vale a pena trabalhar com deficientes. Enquanto na maioria das cidades todos estão satisfeitos, aqui deu tilt. Alguns motoristas ameaçam devolver o alvará e passar os carros pra frente.

Já avisei as autoridades, tentei me reunir com o secretário de Transporte do Município, mas não deu certo. Esperamos que encontrem uma solução. Torcemos.