Intervenção militar de novo?!

Intervenção militar de novo?!

Marcelo Rubens Paiva

03 de novembro de 2014 | 12h31

 

INTERVENÇÃO MILITAR já?!

Alguns problemas se ela de fato ocorrer, como pedem alguns.

1. Em 1964, a sociedade civil também a pediu. Para “acabar com a baderna”, num país “dividido”, com a ameaça comunista no ar, cujo Poder fazia negócios com Cuba de Fidel.

Os militares tomaram o poder em 1 de abril. Devolveriam um ano depois, depois de cassar os adversários políticos. Teríamos eleição para presidente em 1965, adiada para 1966.

O problema foi que, pelas pesquisas, quem ganharia era outro inimigo do regime, ex-presidente JK. O deposto e cassado Jango não poderia concorrer. Mas foi exilado com altíssimo índice de aprovação.

A solução foi truculenta: cassaram JK, Jânio, aliados como Lacerda, cancelaram as eleições, fecharam o Congresso, cassaram os partidos e criaram o sistema bipartidário.

Eleições diretas para presidente só em 1989, 25 anos depois.

Em resumo, se rolar intervenção, dá pra voltar atrás.

2. Se houver arrependimento, não se poderá em 4 anos buscar a alternância. No máximo, sairia um general do Exército gaúcho para entrar outro carioca.

3. Não seriam possíveis manifestações políticas contra o regime.

4. Não seriam possíveis associações que discutissem política.

5. Não seriam possíveis filmes, peças, livros, novelas de TV séries, que atentassem aos valores morais do grupo no Poder.

6. Não se poderia criticar o grupo no Poder. A imprensa seria censurada. Jornalistas que furassem o bloqueio poderiam ser presos. Alguns torturados. Outros mortos.

7. Sindicatos, centrais sindicais, organizações de classe e de estudantes seriam proibidas.

8. Artistas que incomodassem o governo seriam presos e convidados a se retirar. Uma campanha, BRASIL AME-O OU DEIXE-O, se tornaria o lema que justificaria a limpeza ideológica.

9. Se organizações clandestinas começassem a combater o regime, um aparato repressivo com licença para torturar e matar cairia em cima.

10. Qual grupo fardado organizaria o Estado? Tem experiência administrativa? Haveria alternância entre Exército, Marinha e Aeronáutica, como na Argentina? Apenas generais, como no Brasil? Haveria intervenção no Judiciário? No Congresso? Quais partidos seriam cassados? O que fazer com eleições estaduais e municipais, Assembleias e Vereanças.

11. A reação internacional seria desfavorável, o País ficaria isolado.

Democracia é complicada.

Não é melhor continuarmos sem os militares.

A história não traz boas recordações.