I love Kate

I love Kate

Marcelo Rubens Paiva

03 de março de 2009 | 12h07

Sim, vi O LEITOR e não escrevi nada sobre ele. Existem tantos blogs sobre cinema e um número enorme de críticos e analistas que entendem tudo do assunto, que me sinto intimidado em fazer comentários.

Mas, OK, ressalto que eu, como muitos, amo Kate Winslet. Desde TITANIC.

Especialmente depois que ela se casou com um cineasta baixinho, feio, genial: Sam Mendes (de Beleza Americana). E que a dirigiu em APENAS UM SONHO, intrigante filme sobre um casal suburbano que planeja uma vida de aventuras em Paris, mas não consegue largar a mediocridade e a acomodação que há no sonho americano do homem comum: casa com quintal, casal de filhos, emprego seguro e fim de semana com vizinhos. Pena que o nome do filme, como eu, entrega o seu desfecho.

O LEITOR, como VALQUÍRIA, também em cartaz, procura limpar a barra de alemães que participaram da histeria nazista. Hollywood quer, já de acordo com a doutrina de Hussein Obama, se dar bem com seus parceiros europeus e retomar o intercâmbio cultural e comercial- e a Alemanha é a maior potência do continente.

o leitor

Para quem assistiu, ficam claras as intenções de O LEITOR logo no cara, quando o professor de Direito dá um seminário, nos anos 70, sobre a culpa que os alemães carregam por causa do Holocausto. Com seus alunos, acompanha o julgamento de um ex-guarda da SS, Hanna Schmitz, que se diz inocente, pois apenas cumpria uma rotina de exterminio.

A guarda, Kate, analfabeta, viveu um tórrido romance com um dos alunos anos antes, Michael Berg. Nos apaixonamos por ela, na mesma medida em que nos horrorizamos pelos seus atos no campo de concentração de Aushwitz. Quem não desejou ter na adolescência uma Kate para ensinar e trocar?

Como na maioria dos seus filmes, ela aparece nua. A cena em que dá um banho no menino e tira a roupa para enxugá-lo causa suspiros na platéia. Kate não está nem aí para a fama de que a nudez atrapalha a vida de uma atriz de cinema- faturou o Oscar deste ano, você sabe. Nem para o fato de suas fotos e clipes em pelo inundarem a internet e lares. Na entrevista para David Lettermen, transmitida ontem pelo GNT, tirou de letra as piadinhas grosseiras de duplo-sentido do apresentador.

Tanto em PECADOS ÍNTIMOS, filme de tirar o fôlego, de 2006, como em O LEITOR, ela sugere encenar um sexo anal.

Corajosa, linda e completa, Kate é a nova musa do cinema. Sem contar o seu sotaque britânico de arrepiar- uma garota falando British é uma das coisas mais excitantes que há.

pecados intimos (“little children”)

Brinquei com Rodrigo Santoro, com quem almocei no Rio durante o Carnaval, e que a conhece pessoalmente, que Kate é uma falsa magra; ou uma quase gordinha. Ele ficou possesso. É também vidrado nela. E me disse, olhando nos olhos, como se defendesse a sua fé: “É a mulher mais gata que já conheci”. E olha que ele conheceu muitas…

gorda eu? gordo é você

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