hora de desenterrarmos os rios urbanos

hora de desenterrarmos os rios urbanos

Marcelo Rubens Paiva

08 de abril de 2014 | 12h18

 

São Paulo era uma grande bacia hidrográfica.

Não por outra, 4 nações indígenas viviam por aqui, antes da sua fundação.

Pouco a pouco, enterramos seus rios.

Por baixo das nossas avenidas [9 de Julho, Sumaré, Pacaembu], correm rios aterrados e canalizados. Um elevado corre sobre o Rio Tamanduateí [foto abaixo com Mosteiro de São Bento ao fundo].

 

 

Os rios Tietê e Pinheiros foram adulterados e retificado [foto acima do blog de Iba Mendes].

As enchentes e a falta de espaço para correr esse bem tão precioso chamado água nos levarão cedo ou tarde a desenterrá-los.

E para quem acha impossível, eis o exemplo do que Seul [Coreia do Sul] fez com seu rio- canal Cheonggyecheon, construído entre 1392-1410 na Dinastia Joseon.

Em 1976, 6 km de vias elevadas foram construídas sobre ele.

Trocar a estrada pelo rio foi proposto em 1999.

A Câmara Municipal de Seul fechou uma das três artérias rodoviárias e, com isso, diminuiu a quantidade de carros em circulação.

É o chamado Paradoxo Braess: “Removendo o espaço em uma área urbana e diminuindo a capacidade extra dentro de um sistema de rede viária, pode-se diminuir o trânsito de automóveis em geral.”

Em julho de 2003, decidiram derrubar a autoestrada para revitalizar a área: um parque urbano linear de 5,8 km de extensão e 80 metros de largura.

75% do material da demolição da antiga via foi reutilizado para a construção do parque de 400 hectares e reabilitação do córrego que agora tem peixes e pássaros.

O projeto finalizado em 2008 custou US$ 300 milhões. Levou 3 anos.

Pergunto se não vale a pena.

 

 

 

 

Escreveu Rafael Giaretta, do portalarquitetonico.com.br:

Seul também ampliou a malha de transporte público e fez mudanças no fluxo dos veículos que circulavam pelo centro da cidade. Como resultado, houve aumento do número de usuários optando por novos sistemas de transporte e na mudança de hábitos de viagem.

O projeto é incrível e nos faz ter esperanças de um futuro melhor para as grandes cidades. Claro que pra fazer isso é necessário lidar com processos difíceis, posturas e significativa complexidade técnica. Porém, tudo isso vale a pena em função de toda melhoria que uma mudança dessas proporciona para a cidade e seus habitantes.