homossexualismo é uma doença, cuidado.

homossexualismo é uma doença, cuidado.

Marcelo Rubens Paiva

26 de maio de 2011 | 15h09

O que levou Lars Von Trier a dizer que entende Hitler e que ele próprio é um nazista [apesar de obviamente não ser], na coletiva do festival de cinema de Cannes, indústria sustentada maciçamente por produtores judeus?

E John Galliano, maior talento da costura, também elogiar Hitler e ameaçar um casal judeu num bar?

Foi demitido. Ironicamente, seu chefe era judeu. Estava bêbado. Mas havia precedente.

Quiseram mexer com 1 tema tabu indigesto, mostrar que estão acima da norma comum, da boa educação, da gentileza, pois são gênios, celebridades, cercados por atenção e repórteres.

São semideuses!

Podem mais do que nós, mortais.

Que mico…

Meus amigos perguntam se não podemos mais fazer piadas sobre nazismo?

Não, ué.

Pra quê?

Por que provocar?

Faz piada sobre o dia a dia, a rotina do ser comum, tema preferido dos bons stand ups- inclusive de Gentili, que falava de sua namorada fictícia.

Não sabe que o tema incomoda o fígado da humanidade?

Que nos envergonha a consciência de que fomos capazes de tamanha estupidez e brutalidade?

Que devemos- cristãos, muçulmanos, budistas, ateus- nos solidarizar sempre às vítimas de holocaustos?

E aos poloneses mortos por Stalin.

Aos intelectuais mortos na Revolução Cultural de Mao.

Aos torturados presos políticos de regimes ditatoriais de direita e esquerda.

E ponto final.

+++

Homossexualismo é uma doença, cuidado. Uma doença que não é visível, como sarampo. Mas não menos contagiosa, uma doença da cabeça.

Não é o deputado Jair Bolsonaro ou a bancada evangélica protestanto contra o kit homofobia.

É a tradução da narração deste filmete institucional americano do começo dos anos 50, que alertava os jovens contra os gays à solta:

http://www.youtube.com/watch?v=v3S24ofEQj4&feature=player_embedded

Pra se ver como tem gente que pensa ainda com a mentalidade do começo dos anos 50 do século passado.

A maconha também era tema de muitos filmetes.

Como a lenda urbana do pipoqueiro, que colocava drogas nas balinhas do troco.

A mocinha que fumasse ficava doidona e saía beijando todo mundo.

Interessante como se apelava para rigidez da moral sexual para controlar outras proibições.

Quem fuma maconha sai dando:

http://www.youtube.com/watch?v=B5C4fj_kv4M&feature=related

Ou se torna violento e suicida:

http://www.youtube.com/watch?v=bM_vLk1I6G4&feature=related

Cuidado!

+++

“A mineira é melhor que a baiana”.

Na minha infância, era comum ouvir este comentário.

Na sala de estar de uma residência de Higienópolis, Jardins, Ipanema ou Leblon, no papinho entre familiares e amigos.

Melhores no quê?

No passar, arrumar e cozinhar. No tanque. Agachadas com um pano no piso. Penduradas com um espanador nas janelas.

No quartinho dois metros por dois, cheirando a perfume, esmalte e sabonete baratos, forrado por poster de um galã bem penteado, com sucessos do brega no dial- Antônio Marcos, Fábio Júnior, Odair José, Nelson Ned, Waldick Soriano

Que falavam de amor e um mundo melhor para emigrantes anônimas e solitárias, que passavam mais tempo com os filhos da patroa do que a própria.

E com quem muitos meninos da geração pré-revolução sexual deram os primeiros passos na escorregadia e excitante trilha da iniciação sexual.

Meninas que não conheciam a cidade, acordavam antes de todos e dormiam exaustas de luz acesa. Que não tinham para aonde ir nos fins de semana. A não ser que um porteiro as convidasse para um passeio pelo bairro.

É, as domésticas mineiras desbancaram a hegemonia baiana. Falavam delas como da chegada nas prateleiras de um novo produto de limpeza que rendia mais.

E o ciclo do novo “tráfico” seguiu a mesma rota: a empregada de uma amiga chamava por carta uma parente ou colega lá do interior de Minas.

Obrigações: ser honesta, limpinha, com bons antecedentes, e entrar pelo elevador de serviço, pois aqui é assim, existem as entradas de serviço e social. Por favor, não errar de elevador. Sim, “social” é para a patroa e filhos.

Detalhe: nos apartamentos, também há duas portas, a da cozinha e da sala; entrar pela cozinha.

Garantias da lei: carteira assinada, décimo terceiro e férias. Diferentemente de outras profissões, o Fundo de Garantia é opcional. Afinal, é uma outra categoria de trabalho. É “apenas” doméstico.

+++

Hoje, a rota da doméstica segue pelas linhas do transporte coletivo urbano. Não é preciso importar mão de obra. Ela está disponível nas favelas e morros que cercam os bairros de quem consegue pagar.

Delfim Netto disse na semana em que passou em branco o 13 de maio, no programa Canal Livre, da Band, “quem teve este animal, teve, quem não teve nunca mais vai ter.”

Indicava que a mudança da estrutura salarial do setor de serviços está tornando mais difícil encontrar domésticas disponíveis no mercado.

Delfim, ou melhor, “professor Delfim” pediu desculpas depois pela gafe.

Foi o mentor econômico do “milagre brasileiro” no período da ditadura e da tese que atribuía ao crescimento da economia o papel de distribuir a renda. Se o bolo crescesse, todos sairiam ganhando automaticamente uma fatia maior.

O governo Lula, com quem Delfim se aliou, pôs em prática a receita, mas interferiu no cozimento.

Não basta assistir ao crescimento pela janela do forno. O Estado deve intervir para dividir a renda. Não apenas com programas de combate à fome e miséria, mas com crédito subsidiado, barato e diminuição de impostos de produtos para as classes C e D.

O PT trouxe para o consumo aqueles que antes nem chegavam perto e transformou a rotina da patroa, que não consegue mais pagar por um “animal” doméstico.

Talvez ela consiga pagar por uma diarista, que graças aos chineses pode usar genéricos das mesmas grifes, escutar Racionais no seu MP3 ou DVD pago em 36 vezes no feirão das Casas Bahia, símbolo do lulismo econômico.

Deve-se combinar o serviço pelo celular, símbolo o privatismo tucano.

A profissional doméstica agora prefere não dormir no serviço, provavelmente estuda à noite e se transformou no novo e poderoso nicho das grandes marcas de perfumes, sabonetes e esmaltes.

Só a renda distribuída fará o Brasil parar de dividir seus cidadãos em “social” e “serviço”.

Ou em humanos e animais.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.