Guimarães Rosa e Clarice ocupam Cento Cultural SP

Guimarães Rosa e Clarice ocupam Cento Cultural SP

Marcelo Rubens Paiva

07 de novembro de 2017 | 11h07

 

 

Quando tomou posse do timão do Centro Cultural São Paulo, o centro mais agitado, dinâmico, amplo e democrático da cidade, Cadão Volpato, escritor, jornalista, músico e artista plástico, notou que poderia agitar mais a enorme e sempre cheia biblioteca.

Com uma arma eficaz: os escritores.

Faria do CCSP também um espaço de debate literário. Disse e cumpriu.

Debates, conferências, filmes e leituras dramáticas em novembro e dezembro ocuparão salas e corredores do espaço da Rua Vergueiro, 1000.

Para homenagear dois autores que têm pouco em comum, apesar de contemporâneos.

O Nome do Rosa e Que Mistérios tem Clarice? são os eventos que lembram as efemérides de 2017.

Guimarães Rosa morreu há 50 anos.

Clarice, há 40.

Começa hoje com Rosa.

Todos eventos são gratuitos. Classificação: livre.

 

Conferência de abertura:

Hoje, terça, 20h, dia 7/11

Com a professora da USP, Yudith Rosenbaum (Manuel Bandeira: Uma Poesia da Ausência e Metamorfoses do Mal: Uma leitura de Clarice Lispector).

CINEMA

dia 8/11

16h – Mutum (de Sandra Kogut, com Thiago da Silva Mariz, Wallison Felipe Leal Barroso, João Miguel)

Mutum é um local isolado do sertão de Minas Gerais, onde vivem Thiago e sua família. Thiago tem apenas 10 anos e, juntamente com seu irmão e único amigo Felipe, é obrigado a enxergar o nebuloso mundo dos adultos, que contém um bando de vizinhos primitivos e o seu grosseiro e bruto pai.

18h – Aboio (documentário de Marília Rocha)

Filmado em Pernambuco, Bahia e Minas Gerais, o documentário relata um costume dos sertões brasileiros: o aboio. Percorrendo o interior do País, o longa acompanha a jornada dos últimos cultores fiéis ao canto de trabalho.

19h30 – A Hora e a Vez de Augusto Matraga (clássico de Roberto Santos, com Leonardo Villar, Joffre Soares, Maria Ribeiro)

Augusto Matraga é um fazendeiro violento. Traído pela esposa e emboscado por seus inimigos, acaba massacrado e é dado como morto. Salvo por um casal, volta-se para a religiosidade. Quando conhece Joãozinho Bem Bem, um jagunço famoso, Matraga vive o conflito entre o desejo de vingança e sua penitência pelos erros cometidos.

 

TEATRO

dia 8/11

A hora e vez (de Antonio Januzelli, Cia. do Sopro)

Baseado em Augusto Matraga, Rui Ricardo Diaz fará uma pequena performance do monólogo A hora e vez como ilustração da palestra. No conto de Rosa, após cair na emboscada de Major Consilva, Nhô Augusto é dado como morto, mas sobrevive após ajuda de um casal. Recuperado, decide dedicar sua vida ao trabalho, à penitência e à oração. Depois de anos de reclusão, decide partir e encontra o amigo e poderoso cangaceiro Seu Joãozinho Bem-Bem. Isso será decisivo para o desfecho de sua história.

 

Rosa (dramaturgia: BoadaPeste Cia. de Teatro – direção: Jéssica Nascimento – direção musical: Alexandre Guilherme – com Ailton Barros, Gira de Oliveira e John Halles)

Experimento cênico da BoadaPeste Cia. de Teatro baseado no famoso e deslumbrante conto, A Terceira Margem do Rio. Narrado em primeira pessoa, o texto fala sobre a história de um homem (nosso pai) que, sem nenhuma razão aparente, abandona sua vida cotidiana para viver numa canoa no leito do rio, deixando aos que ficam questionamentos de toda ordem.

 

DEBATE

dia 9/11

Traduzir Rosa

Abordará as difíceis e notórias traduções do escritor.

Com Alison Entrekin, tradutora literária australiana radicada no Brasil, que atualmente tem o desafio de fazer uma nova tradução para o inglês de Grande Sertão: Veredas.

Luiz Carlos Vasconcelos, ator e encenador responsável pela lendária peça Vau de Sarapalha, e Odilon Moraes, ilustrador há mais de 25 anos, acaba de publicar Rosa, Uma Homenagem ao Escritor, mediados por Ronaldo Bressane, falarão da tradução a outros meios.

 

 

Clarice virá em seguida.

(Baixe o catálogo em pdf dos eventos)

Tendências: