Geyse: Dorotéia

Geyse: Dorotéia

Marcelo Rubens Paiva

10 de novembro de 2009 | 12h43

Voltaram atrás. Bastou a abertura de um inquérito na Delegacia da Mulher, pressões do Ministério da Educação e sair no New York Times e em toda a imprensa internacional, que o departamento de marketing da UNIBAN foi enfim ouvido.

E o que se escutou parecia óbvio: a imagem da universidade escorre pelo ralo.

O que é mais intrigante no caso da expulsão da UNIBAN da aluna de turismo de pernas pra fora, Geyse, é que seu reitor [e dono], Heitor Pinto Filho, quem expulsou a aluna, é casado com a atriz Eloísa Vitz, curte teatro.

Construiu um na universidade, gerido pelo GATTU, injeta dinheiro, coloca anúncios nos jornais divulgando as peças, que ficam lotadas de estudantes.

E sabe qual autor costuma ser montado lá?

NELSON RODRIGUES

E sabe qual peça o grupo remontrou e está em cartaz?

DOROTÉIA

Conhece a história?

Três viúvas [Flávia, Carmelita e Maura] moram juntas e estão sempre de luto, com vestidos longos, que escondem as formas. São castas, reprimidas. Elas jamais dormiram. Para não sonharem, onde podem aparecer desejos secretos.

Então, batem na porta. As três colocam máscaras. Flávia abre a porta. É outra prima, Dorotéia, que em contraste com a castidade das mulheres de luto, veste-se de vermelho, um vestido sensual, que realça as formas da mulher, “como as profissionais do sexo”. E não usa máscara.


DOROTÉRIA, foto de LENISE PINHEIRO

A quarta peça de Nelson, de 1949, aborda a repressão sexual, e que a doença, feiúra e os sacrifícios e todos sofrimentos em geral se tornam valores sempre perseguidos pelas personagens, como meio de “exegese e ascese espiritual purificadora dos pecados do sexo”.

“Mais que uma denúncia contra a cultura e a religião que enaltecem a doença e o sofrimento, a peça traz, por meio de seu sarcasmo brutal, uma denúncia contra a culpabilização da sexualidade e contra o culto da apologia da morte. Acometido de uma fúria verdadeiramente báquica – unindo por meio da sátira o trágico e o cômico – Nelson expõe até a medula a violência dos paradigmas do patriarcado em sua vertente católica e mediterrânea transplantada para o Brasil” [psicanalista Anchyses Jobim Lopes]

Nelson deve ter gargalhado, quando soube que uma jovem aluna foi chamada em coro de “puta”, como a sua personagem de vestido vermelho. O homem é escravo do seu ridículo.

Serviço: Dorotéia
Horários: Sábado às 21h e Domingo às 20h
Temporada: 05 de setembro a 13 de dezembro de 2009
Local: Teatro Gil Vicente
Capacidade: 147 lugares
Indicação: a partir de 16 anos
Duração: 70 minutos
Endereço: Av. Rudge, 315 – Campos Elíseos – São Paulo/SP
Ingressos: R$ 30,00 (inteira) – R$ 15,00 (meia)
Aluno: R$ 10,00 – Acompanhante: R$ 10,00
Funcionário: gratuito – Acompanhante: R$ 10,00
Informações: www.gattu.com.br

Ficha Técnica

Direção Eloísa Vitz

Elenco

Eloísa Vitz
Daniela Rocha Rosa
Diogo Pasquim
Elam Lima
Hélio Souto Jr.
Laura Vidotto
Lorena Bertino
Marcos De Vuonno
Marcos Machado
Miriam Jardim

Mais informações no site da… Adivinha:

http://www.uniban.br/institucional/release2009/mat4.asp

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E falando em sexo, hoje e amanhã tem A NOITE MAIS FRIA DO ANO no teatro Poeira, do Rio. Peça que a VEJA SÃO PAULO indica e afirma que tem a melhor cena de trepada num palco dos últimos tempos.

Bem, eu que dirigi a cena. Caprichei.

Olha lá, a temporada carioca se encerra na semana que vem.

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Meu amigo e mentor [no jornalismo e na vida] LUIS CAVERSAN lança o livro “Como Fazer Jornal Todos os Dias – Introdução ao Jornalismo Diário”.

Hoje, terça-feira, dia 10/11, tem noite de autógrafos na Saraiva Megastore do Pátio Higienópolis – avenida Higienópolis, 615.

Caversan trabalhou durante 7 anos no ESTADÃO e 21 anos na redação da Folha de S. Paulo.

É colunista da Folha Online e atualmente é consultor sênior na área de comunicação corporativa, escritor, editor e produtor cultural.

Fez de tudo já numa redação. Foi repórter e editor de cultura, fotografia, cotidiano, ajudou a escrever o Manual de Redação da Folha, foi chefe de sucursal. Viveu o jornalismo diário com empolgação.

Sua paixão e dedicação inspirou o personagem RAUL, do meu último livro A SEGUNDA VEZ QUE TE CONHECI. Faz parte da geração que, com MATINAS SUZUKI, mudou a cara do jornalismo impresso no Brasil. Conhece cada vírgula do fazer jornalismo.

A pauta, a reportagem, o trabalho minucioso do redator, os macetes do fechamento e toda a hierarquia que dá sustentação ao noticiário estão ali reunidos em todos os detalhes.

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