geração mascarada

geração mascarada

Marcelo Rubens Paiva

08 de novembro de 2011 | 14h20

Entenderam agora por que os estudantes da USP andavam mascarados?

Estão sendo enquadrados no crime FORMAÇÃO DE QUADRILHA.

Além de tipificado dano no prédio [reitoria], desobediência e crime ambiental com as pichações [acuma?!].

Se não pagarem fiança de mais de mil reais, vão para o presídio.

Imagine se a PM invade o campus no final dos anos 70.

Não havia 1 estudante que não pertencesse a uma “quadrilha”, que chamávamos de TENDÊNCIA ESTUDANTIL.

REFAZENDO, LIBELU, CAMINHANDO, CONVERGÊNCIA SOCIALISTA e outras.

Era isso que os moleques tentavam dizer no protesto atual: a maneira como a PM age no campus e os agentes que a comandam não se encaixam no espírito de livre pensar de uma UNIVERSIDADE. O pensamento socrático foi algemado pela truculência do Estado.

Parabéns para aqueles que acham que UNIVERSIDADE não é espaço para playboys maconheiros e baderneiros, que depredam o patrimônio público.

Venceram a generalização, o debate político raso e o Estado maniqueísta.

Perderam a dialética e os movimentos sociais.

Perdeu a DEMOCRACIA [o diálogo].

Sim, a violência urbana pede a PM no campus universitário. A maioria estudantil, idem.

Mas não esta PM mal treinada, viciada em extorsão a maconheiros, pragmática.

Regida por leis que consideram agremiação política e pensamento ideológico uma QUADRILHAGEM.

 

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Foi a reitoria da USP que pediu que a Linha Amarela do metrô, ainda na prancheta, não passasse pelo campus, alegando questões de segurança.

No projeto original, as estações seriam na Praça do Relógio e no HU (Hospital Universitário).

Construíram no Butantã.

Os milhares de alunos, professores, funcionários e visitantes que circulam diariamente pela maior universidade da América Latina são obrigados a caminhar mais de1 kmaté a portaria da instituição.

No ano passado, moradores de Higienópolis assinaram um manifesto para que o metrô não construísse uma estação no coração do bairro. “Não queremos uma gente diferenciada”, disse uma moradora, o que gerou protestos carregados de ironias.

Agora, senhoras de Ipanema abraçaram a tombada Praça Nossa Senhora da Paz e pediram um não à construção de uma estação do metrô.

As do Leblon também pedem que a linha siga subterrânea até a Gávea.

Síndicos de prédios de Pinheiros pediram que a prefeitura não leve para o bairro um albergue de moradores de rua.

Na semana passada, um banco da Avenida Paulista cercou com grades as muretas da sua agência, que serviam de ponto de encontro, lazer e paquera nos fins de semana.

Ver as fotos num post abaixo.

Imitou a agência da Caixa Econômica, também na Paulista, que colocou gradis de proteção para impedir a circulação de pedestres na praça interna.

Não se encontra em outros países a divisão de circulação entre proprietários e serviçais.

Difícil entender por que há elevadores sociais e de serviço em quase todos os condomínios. E mesmo com o aviso afixado, obrigado por lei, de que é proibida a discriminação, empregados, diaristas, faxineiros são compelidos a não usar o social.

Nossa República, proclamada por generais, substituída pela elite do café com leite, recomposta pelo populismo, que a transformou numa ditadura de inspiração fascista, retomada por forças democráticas que viviam em conflito com trabalhistas, que detonou uma ditadura violenta que durou 21 anos, demora para se cristalizar.

A violência urbana, prova da fraqueza das instituições públicas, da falência do Estado, da ausência de justiça social, serve de álibi para que se levantem grades, portarias e sistemas de segurança que “protejam” uma classe da outra.

A tensão social vitima.

A corrupção na Justiça e no Executivo atravancam o desenvolvimento e impedem a distribuição da riqueza pública.

A Previdência separa cidadãos em duas castas: os comuns e os servidores públicos.

No mês em que se comemora a Proclamação da República, cujo sentido etimológico é “bem comum”, deveríamos nos perguntar se ela foi de fato proclamada.

O viral que virou anúncio da Red Label que emociona, em que as pedras do Pão de Açúcar se transformam num gigante que se levanta e sai andando, sob slogan “o gigante adormeceu”, é simbólico.

Pois ele se levanta e vai embora.

Vai dar um role no mar, enquanto nos dizem “keep walking, Brasil”.

Deveria ficar no continente para ajudar a nossa República.

Volta, gigante. Não dá as costas para nós. 

Ah, e tem mais, SE BEBER NÃO DIRIJA.

 

 

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