FLA-FLU da FLIP

FLA-FLU da FLIP

Marcelo Rubens Paiva

08 de agosto de 2014 | 12h01

 

FLA-FLU literário.

Existe uma guerra fria entre 2 grupos que disputam a crítica literária:

Literatura Comparada x Linguística

Por alto, seria como comparar o tema abordado em sua época com o estilo de um autor, antropologia versus semiótica, psicologia dos personagens versus linguagem.

Conrad é um autor de estilo pobre e infinita compreensão do seu tempo.

Graciliano não era estilista como Guimarães.

Nem Kafka como Joyce.

Mas não dá para afirmar que um é mais ou menos importante que outro.

Nem que existe o jeito certo de se fazer literatura.

Há aqueles que acham que os modos de vê-los, pela teoria comparada ou linguística aplicada, são antagônicos, e competem entre si.

Um grupo faz desdém com o outro.

Um grupo acredita ser a forma correta de fazer crítica literária.

Um é inspirado pela Escola de Frankfurt, o outro, pelo Formalismo Russo.

Percebi que aqueles que criticaram a Flip 2014 entenderam que faltaram discussões literárias e autor de peso.

Não acompanhei tudo. Não vi mesa falando de formas narrativas, semântica, signos, denotação e conotação.

Falar do seu tempo, de ditadura, de perseguição a índios, depressão, conflito no Oriente Médio, jornalismo e humor, para mim, é falar de literatura.

Ouvir Viveiro de Castro falar e ler padre Antonio Vieira é alta literatura.

Ou Andrew Solomon falar que pessoas “far from the tree” (fora do comum) pode ser um princípio de identidade, e apresentar seu filho. Etgar Keret ler Matadouro 5, David Carr e Graciela Mochkofsky falar de Jornalismo e Poder, a premiadíssima Jhumpa Lahiri, Glenn Greenwald contando sobre o escândalo da espionagem americana… Literatura!

Encontrar Mohsin Hamid com sua mulher, a musa da feira, num bar, e ouvir que ele prefere morar no Paquistão, apesar da violência do Taliban, que ser mais um escritor em Nova York, cruzar com Frei Beto elogiando o novo papa, que procurou o pessoal da Teologia da Libertação, perseguido pelos 2 papas anteriores, para corrigir um erro histórico, ouvir Davi Yanomami, cruzar com Fernanda Montenegro no camarim, encontrar o príncipe brasileiro João de Orleans e Bragança, bisneto da princesa Isabel, que me foi apresentado pelo historiador José Murilo de Carvalho, pelos gramados da orla, é literatura de cabo a rabo.

 

 

Foi minha primeira Flip.

E nunca mais deixarei de ir.

 

COM IVO HERZOG

 

filho de vladimir herzog com o de rubens paiva

 

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