Final da NFL é imprevisível

Final da NFL é imprevisível

Marcelo Rubens Paiva

01 de fevereiro de 2015 | 12h40

4fd99475f9270fbcfa62b92b6272aa55

 

O jogo do inusitado e das viradas

Muitos brasileiros implicam com o futebol americano.

Dizem que o nosso futebol, que eles chamam de soccer, é o verdadeiro, e que o deles é outra coisa.

Talvez se o futebol deles continuasse a se chamar “rubgy americano”, como era no começo, os brasileiros teriam menos preconceito contra um dos esportes mais emocionantes que existem, de jogos imprevisíveis e viradas espetaculares.

Esporte de uma lógica simples e com um repertório infindável de jogadas e truques, em arenas sempre abarrotadas sob sol abrasador, chuva ou neve.

Os times, em cujas camisas não se estampam patrocínios, de tanto dinheiro que gira, têm técnicos especialistas em ataque e defesa, que têm o direito de duvidar de lances marcados pela arbitragem. São revistos em câmera-lenta, por uma comissão de árbitros, num monitor no gramado.

A tecnologia, sim, serve à verdade do resultado. Faz justiça.

Futebol americano não é apenas um jogo, é uma entidade cultural, uma mobilização em massa que começa antes do apito inicial: ao redor dos estádios, a torcida chega bem antes e faz um churrasco ou piquenique com família e amigos. É o evento do domingo. Seja em campeonatos universitários, cujos estádios também lotam, ou na NFL.

O Brasil na Copa de 1994 jogou no campo de futebol americano da Universidade de Stanford, em que cabem 80 mil pagantes. Inclusive contra os EUA.

Foi numa taverna de Londres que em 26 de outubro de 1863 criaram a associação que padronizou as regras do futebol, que são usadas até hoje. A The Football Association decidiu que ele seria jogado com os pés, depois de intensos e alcoolizados debates. Os que preferiam que também se usassem as mãos, saíram furiosos e fundaram outra liga, a Rugby Football Union, a base o rugby.

Se para cá veio o livrinho de regras da Football Association, para os EUA foi o da Rugby Football Union.

Que era uma várzea, ninguém se entendia, onde o pau comia.

O rubgy americano, como era chamado, era considerado o esporte de muito contato físico, portanto, o mais violento de todos. Um chute no gol em ípsilon valia cinco pontos. Não se podia lançar a bola, que ainda era redonda. Mudaram o nome do esporte para futebol, e o nosso futebol visou soccer.

O presidente americano Theodore Roosevelt, um fã do esporte, exigiu que a violência diminuísse. Permitiu-se então lançar a bola, que ficou aerodinamicamente ovalada. O touchdown passou a valer seis pontos, e o chute, três.

Roosevelt não só mudou o jogo, como o levou para as academias militares, para ser usado em treinamentos, já que o princípio é o de uma guerra: ocupar territórios, trincheira a trincheira, jarda a jarda, enfrentando um batalhão com capacetes, até chegar na base inimiga.

O jogo de hoje promete emoções fortes.

Será pau a pau.

O campeão do ano passado, Seattle Seahawks, com a melhor e mais temida defesa do campeonato, a Legion of Boom, que tem a estrela do time, o cornerback Richard Sherman (nome de tanque), um jogador absurdamente rápido, que voa no ar, cujo filho está para nascer. Time do jovem quarterback negro, cada vez mais comum, Russell Wilson, que é bom em tudo (no jogo aéreo, terrestre e especialmente corre com a bola), com o polêmico running back Marshawn Lynch, que não fala com a imprensa, sempre ao seu lado, para as jogadas terrestres e furar a defesa adversária como uma bola de canhão, da torcida mais fanática e recordista em barulho no estádio, para atrapalhar a comunicação do ataque do adversário.]

D outro lado, New England Patriots, da lenda viva Tom Brady, o melhor quarterback de todos os tempos, conhecido no Brasil como o marido de Gisele Bundchen, e que a cada ano deixa um recorde para trás, até do grande John Montana, que tem um passe que é uma obra-prima, é rápido, tem raça, faca nos dentes, não gosta de perder, e o atacante perfeito (tight end), que está sempre no lugar certo, na hora certa, Rob Gronkowski.

NE mostra sempre jogadas novas e inusitadas graças ao técnico Bill Belichick, um pesquisador ousado, o melhor da liga. Será um jogo entre o melhor ataque e a melhor defesa, a elegância de Brady e a raça de Wilson, com muita catimba e provocação.

Seattle é um time chato. Brady vai ser importunado o jogo todo pela “Stop Troops” adversária.

Ambos são especialistas em jogar na chuva, o que não fará diferente, pois o jogo é em Arizona, no deserto.

Ambos os times tiveram uma campanha impecável. São os melhores da liga.

Mas Seattle quase não chegou na final. Jogou mal contra o Green Bay, último adversário. Passou graças a uma dessas viradas milagrosas, que fazem o esporte ser empolgante (dois touchdowns nos dois último minutos, levando o jogo para a prorrogação).

Já o NE da “Gronk-era” jogou mal contra o Baltimore. Por pouco não ficou de fora.

Mas goleou fácil o Colt, foi à final fácil, apesar da polêmica das bolas murchas.

Apostas? Não me atrevo.

Um brinde para os brasileiros: narradores e comentaristas da ESPN Brasil, como Paulo Mancha, Everaldo Marques e Paulo Antunes. “É o caaaos!”

 

+++

 

Muitos falam dos comerciais sensacionais e bilionários que passam nos intervalos do Super Bowl.

O blog RADAR DA PROPAGANDA aqui do Estadão  fez uma seleção deles:

http://economia.estadao.com.br/blogs/radar-da-propaganda/super-bowl-anuncios/.

Saca alguns.

Tem até Clint Eastwood e um bem polêmico já banido (adivinha qual?):

 

 

 

https://www.youtube.com/watch?v=OHOHJhoOa90