fazer política não é nada fácil

fazer política não é nada fácil

Marcelo Rubens Paiva

20 de junho de 2013 | 11h48

 

 

MARCHA DE DEFICIENTES NA PAULISTA [2009]

 

Alguns militantes de sofá agora sugerem outras bandeiras, para aproveitar a onda de protestos e a mobilização gerada pela insatisfação.

Cuidado: o próximo protesto será para protestar contra aqueles que estão sugerindo protestos e listando possíveis reivindicações.

O OCCUPY ME existe há mais de dez anos, está organizado em mais de 50 países, tem objetivos, metas, métodos, estrutura desenhada em assembleias gerais.

O MPL [Movimento Passe Livre] existe há 8 anos.

Milita desde o Fórum Social de Porto Alegre, tem aliados espalhados pelo Brasil, site, recebe doações.

Se você quer defender uma bandeira, lutar por uma causa que acredita ser justa, não pegue carona.

As redes sociais ajudam a mobilização, mas uma coisa não muda: o povo na rua é quem combate.

Comece então hoje mesmo a organizar o seu movimento.

Encontre aliados, organize uma agenda, pesquise.

Muito feio aquele que se aproveita da estrutura alheia.

Eu já tive uma ONG de deficientes, o CVI, que tinha presidente, tesoureiro, até estatuto.

Dava trabalho, gastávamos dinheiro do próprio bolso, mas nos fazia bem.

Fazer política não é nada fácil.

Mas dá certo.

Muitas coisas no Brasil que se referem a direitos e acesso da pessoa deficiente nasceram dessa ONG, que teve estômago para fazer desde reuniões com secretários e prefeitos corruptos, sentar à mesa de demagogos populistas, a marchar pela Paulista.

Como diz o slogan que marcou este mês agitado: UM POVO MUDO NÃO MUDA UM PAÍS.

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