Extensão do antipetismo decide eleição

Extensão do antipetismo decide eleição

Marcelo Rubens Paiva

16 Setembro 2018 | 11h24

O cenário do Brasil em 2019 é o da transição, para sairmos da desordem econômica institucional.

Assim como precisou-se de Tancredo, o nome de consenso, para enfrentar a candidatura dos militares na corrida presidencial de 1984, apesar de Ulisses Guimarães, Brizola, Montoro e Lula, de quem o Brasil precisa hoje?

O nome de consenso não existe.

O cenário ideal e racional defendido por setores preocupados com a governabilidade seria a presença no segundo turno de Ciro Gomes (PDT) ou Alckmin (PSDB): uniriam o centro, encerrariam a polarização e venceriam Bolsonaro (PSL).

Até petistas e gente da esquerda declararam que, no cenário da ida de um dos dois contra Bolsonaro, optariam pela escolha do concorrente do PSL.

Mas e o inverso?

O cenário ideal é o de uma transição pacífica, uma eleição sem traumas, para cicatrizar feridas abertas no impeachment de Dilma, acalmar a tropa, ajeitar as contas públicas, fazer reformas e consertar a economia do país destroçada.

Pelo Datafolha, Haddad x Bolsonaro no segundo turno é o cenário mais provável; o primeiro, em ascendência, roubando votos de outros, desidratando concorrentes, e o segundo, consolidado.

Petismo x Antipetismo será o tom da campanha do segundo turno.

O antipetista votaria na considerada tríade do retrocesso, xenofobia-homofobia-misoginia?

O resultado não é animador para quem teme o incerto.

O mercado e até antipetistas conhecem o PT. Que, se no Governo Dilma, descarrilhou, no de Lula estabeleceu um pacto político-social que garantiu uma razoável governabilidade, com mensalão e alianças impensáveis, garantiu os contratos, combateu a desigualdade e deu em crescimento econômico, apesar da escandalosa e avassaladora corrupção.

Mas o antipetista, no segundo turno de 2018, votará no desconhecido, na radicalização, no que já propôs o fuzilamento de FHC? Qual a extensão do ódio ao PT?

Apertará o 1 na privacidade da cabine eleitoral.

Mas é o próximo número?

Será o 3?

Um tucano, um brizolista, um conservador de centro, um malufista, um defensor do mercado livre, Estado enxuto, livre inciativa, uma mulher ou um gay terá a manha de apertar o 7?

Segundo Ibope, 53% dos antipetistas votarão em Bolsonaro.

3 e 7, números primos, pertencem a dois mundos distantes de um universo complexo e contraditório.

Dois míseros números que decidirão o futuro do país.

Por vezes, para o bem de todos, é preciso deixar a ideologia de lado e olhar o panorama de cima.  Aparentemente, o brasileiro não demonstra votar com a razão em 2018, mas com a emoção.