eu é um outro

eu é um outro

Marcelo Rubens Paiva

22 de julho de 2010 | 01h33

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Estreamos ontem o filme MALU DE BICICLETA no FESTIVAL DE CINEMA DE PAULÍNA.

Casa cheia.

Parece que o público gostou.

A crítica também.

Pelo jeito, não gostaram dos filmes anteriores.

Leia abaixo por que desconfiei.

Anunciado como comédia romântica, logo tentei “desrotular” o filme.

Esse é um problema que me persegue, como definir a minha obra: comédia, drama, tragicomédia, melodrama, comédia romântica, ficção científica.

É sempre assim. BLECAUTE dizem ser ficção científica. É nada.

MALU DE BICICLETA, comédia romântica. Comédia? Quem conhece o livro e viu ontem o filme sabe que o final é uma paulada.

Me pediram recentemente para classificar minha peça O PREDADOR ENTRA NA SALA, que estreia semana que vem, quarta-feira, no PARLAPATÕES. Não consigo. É cômica até a última e polêmica cena. Então não é comédia?

Até FELIZ ANO VELHO, taxado de engraçado, é impossível definir.

Engraçado? O moleque, filho de 1 desaparecido político, fica tetraplégico!

O problema deve ser comigo.

Ou como escreveu Rimbaud, o rebelde de vida dupla [definição de Edmund Wilson]:

“Eu é um outro.”

Resumo da incapacidade de nos conhecermos.

Resultado de tantos tabus e repressões.

Não sei quem eu sou.

Nem o que quero ou defendo.

Nem o que gostaria de ser.

Não consigo deixar de rir da tragédia humana, da piada que é o caos da vida.

Nem levar a sério o ridículo nas pessoas, escravas de nossos clichês.

Talvez possa definir tudo o que escrevo como “drama para rir”.

E ser taxado como o autor que não consegue se levar e sério.

Aliás, como já definiram o nosso País.

MALU DE BICICLETA estreia mesmo dia 4 de novembro.

Posso dizer que está honesto, lindo, sensível, surpreendente e “elegante”, como disse na coletiva de hoje [quarta-feira] à tarde o diretor FLÁVIO TAMBELLINI.

Entrevista em que um repórter gaúcho disse: “Olha, tinha de tudo para não gostar do filme, vim ver para não gostar, mas gostei.”

Quando contei isto para a minha irmã VEROCA, ela disse: “E vocês perguntaram por que ele disse que foi para não gostar?”

Não, não perguntamos. Deveríamos, né?

Como alguém vai ver uma coisa para não gostar?

Então, não somos todos ridículos?

 

Aqui vai o que meus colegas da imprensa falaram do filme:

 

DANIEL CASTRO [do R7]

 

Estrelado por Marcelo Serrado e Fernanda de Freitas, o longa Malu de Bicicleta surpreendeu público e crítica em sua primeira projeção, ontem (20) à noite no terceiro festival de cinema de Paulínia.

Após a exibição, jornalistas especializados em cinema respiraram aliviados. Por ter recebido antecipadamente o rótulo de comédia romântica, Malu de Bicicleta poderia se revelar mais uma bobagem, apesar de o currículo do diretor, Flávio Tambellini (de Bufo & Spallanzani), contar a favor.

Baseado em livro de Marcelo Rubens Paiva (que também assina o roteiro), Malu de Bicicleta é basicamente a história de um cara rico e mulherengo que se apaixona por uma mulher que o atropela no calçadão do Leblon (Rio).

Luís Mário (Marcelo Serrado), um homem que ouvia “vozes” de seios e vaginas, mergulha então numa neurose de traição que remete a Dom Casmurro. Malu (Fernanda de Freitas) tem um quê de Capitu. A química entre os dois atores funciona.

“Eu reli Dom Casmurro. Durante as filmagens, o Flavio [Tambellini] sempre me falava para não esquecer da dúvida”, contou Fernanda, em debate sobre o filme hoje (21) à tarde.

Marcelo Rubens Paiva lembrou que seu livro “é sobre esse mundo de hoje, de galinhagem, de alta rotatividade de parceiros”. Mas isso não se traduz numa obra superficial. “Eu não queria fazer um filme machista. No filme, as mulheres é que são fortes”, falou o diretor Tambellini.

Marcelo Serrado disse que se inspirou em filmes de Woody Allen para compor seu personagem: “O menos é mais neste filme”.

Malu de Bicicleta é um filme “BO” (de baixo orçamento). Inicialmente orçado em R$ 2,5 milhões, foi feito com apenas R$ 1,3 milhão.

“Isso criou uma maneira de fazer o filme, dentro de um espaço de tempo, com um dinheiro limitado. Foi bom, porque a partir daí a gente fez um filme de cinema, com gente a fim de fazer, com pessoas do teatro, pessoas que se apaixonaram pelo projeto, que se deram”, afirmou Tambellini.

 

HEITOR AUGUSTO [Cineclick]

 

PAULÍNIA 2010: Malu de Bicicleta, ufa, oxigena o ar do festival

Homem solteiro procura; e quando acha, não sabe o que fazer. A frase pode resumir a trama de Malu de Bicicleta, filme recebido pelo público e pela crítica aqui do Festival de Paulínia como uma espécie de “alívio” muito bem-vindo, após alguns dias de exibições pesadas que, digamos assim, não corresponderam às expectativas de quem esperava curtir um bom cinema. Eufemismo é bom e a gente usa.

Com roteiro de Marcelo Rubens Paiva, a partir de seu próprio livro, Malu de Bicicleta prova que é perfeitamente possível e viável o desenvolvimento de um tipo de cinema brasileiro que ao mesmo tempo tem grandes qualidades e conversa bem com seu público. Já é hora de cair por terra a falsa teoria de que o Brasil só produz (1) ou filme que só a crítica e os intelectuais gostam, (2) ou filmes de favela e violência e (3) ou filmes popularescos que conseguem grande público mas não tem qualidade.

 

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Malu de Bicicleta tem potencial de dialogar com as grandes platéias, não subestima a inteligência e o bom gosto do público, é tecnicamente irretocável, e também traz todos os elementos para agradar à crítica e ao consumidor mais exigente que busca um cinema mais inteligente. Faz rir e faz pensar. Tem ótimas interpretações e é dirigido com segurança e ritmo. Não é um Chabrol (e nem quer ser), mas disseca com competência o sofrimento do ciúme, o “inferno do amor possessivo”. Enfoca com leveza a questão da insegurança masculina diante da simples possibilidade da estabilidade e de felicidade, por mais rimas que a frase possa conter.

A direção é de Flávio Tambellini, mais conhecido como o produtor (função que assina em mais de 20 longas) que propriamente como diretor, já que este é o seu terceiro longa, após Bufo & Spallanzani (2001) e O Passageiro – Segredos de Adulto (2007).

É drama? É comédia? Romance? Responde Marcelo Rubens Paiva: “Queria que o público se libertasse um poucos dos rótulos. O longa é engraçado, mas tem uma parte do filme que é bem dura. Ele não é apenas uma comédia romântica, é cinema”, afirmou.

 

MARCO TOMAZZONI [IG]

 

Em sua reta final, com apenas mais um filme para ser exibido, a competição de longas-metragens de ficção do Festival de Paulínia conheceu, depois de Cinco Vezes Favela – Agora por Nós Mesmos, mais um filme digno. Dirigido por Flávio Ramos Tambellini (O Passageiro, Segredos de Adulto, Bufo & Spallanzani), Malu de Bicicleta mostra com competência algo que Dores & Amores ficou longe de fazer. Mais do que discutir os relacionamentos do mundo moderno e a busca pelo amor, o filme também envereda pelo lado sombrio dessa discussão, o ciúme.

O paralelo com o maior símbolo do ciúme na cultura brasileira, a Capitu de Dom Casmurro, é evidente, até pelo ponto de vista da história: sabe-se de tudo através do protagonista e as ações de Malu continuam um mistério para o espectador. O acerto de Tambellini é conseguir manter a tensão da trama acesa o tempo inteiro, atiçando-a rumo ao desfecho, sem meter os pés pelas mãos, com cadência, elegância. A montagem de Sérgio Mekler e Quito Ribeiro e a trilha sonora de Dado Villa Lobos só deixam tudo mais fluente.

Além de Fernanda de Freitas e Serrado, que enfim faz um papel competente no cinema, o bom elenco de apoio serve tanto para potencializar o eixo dramático quanto as cenas de humor, encabeçadas por Thelmo Fernandes e Marcos Cesana, naquele que é seu último trabalho nas telas (Cesana morreu, vítima de um AVC, em maio). Destaque também para Otávio Martins e a global Marjorie Estiano, desglamurizada. Malu de Bicicleta é sério concorrente aos prêmios principais.

 

ADRIANO CONTER [EPTV.com]

 

Filme “Malu de Bicicleta” é obra prima de Marcelo Rubens Paiva e Flávio Tambellini

Paulistano, Luiz Mário não tem vergonha de ser galinha. Usa cada garota que conquista para depois jogá-la fora. Vê o corpo de uma mulher como um chamado, até que uma maluca não aceita o fora, pega uma faca e a coloca em seu pescoço. Assustado, ele viaja para o Rio de Janeiro, onde é atropelado por Malu, que andava de bicicleta.

É assim que começa o melhor filme já apresentado no terceiro Paulínia Festival de Cinema, “Malu de Bicicleta”. Uma obra prima do roteirista Marcelo Rubens Paiva e do diretor Flávio Tambellini exibida nesta terça-feira (21).

Aos poucos, o longa envolve o espectador de uma forma a causar-lhe angústia, sedento por uma resolução, a medida que todos os personagens vão deixando a narrativa para sobrar somente a loucura de Luiz. O filme começa como uma comédia romântica, mas termina como um suspense psicológico.

Com atuações muito boas, “Malu de Bicicleta” faz rir e pensar ao mesmo tempo, com uma história com a qual qualquer um pode se identificar.

Antes da exibição, Marcelo Rubens Paiva revelou que a equipe do filme era pequena, mas era formada por amigos de bar. A cumplicidade transparece em cenas lindas, como quando Malu derruba uma lágrima, deitada ao lado de Luiz, após ser pedida em casamento.

 

ANDRÉ MIRANDA [O GLOBO]

 

Paulínia: ‘Malu de bicicleta’ fala de amor pelo olhar masculino

Depois de duas tentativas mal-sucedidas (“As doze estrelas”, exibido na sexta-feira, e “Dores e amores”, exibido na segunda), enfim uma comédia romântica adulta mostrou qualidades e agradou o público da 3ª edição do Festival de Paulínia. Último longa-metragem das sessões de terça-feira, “Malu de bicicleta”, de Flávio Tambellini, trata do ciclo de um relacionamento pelo olhar masculino, com todas as decisões, inseguranças e ciúmes envolvidos.

Mais tarde, o teatro ficou completamente tomado por espectadores interessados em: 1) A volta de Tambellini, um renomado produtor, à direção, depois de “O passageiro, segredos de adulto”, de 2007; 2) A adaptação para o cinema de mais uma obra de Marcelo Rubens Paiva; 3) A presença no filme de atores conhecidos, como os protagonistas Marcelo Serrado e Fernanda de Freitas, e os coadjuvantes Marjorie Estiano e Otávio Martins; 4) A esperança de finalmente se assistir a uma boa comédia romântica.

O gênero havia sido abordado por duas das ficções desta edição de Paulínia: tanto “As doze estrelas”, de Luiz Alberto Pereira, quanto “Dores e amores”, de Ricardo Pinto e Silva, foram duramente criticadas por seus roteiros primários e direções confusas. “Malu de bicicleta” mudou o panorama.

Na trama, o paulista Luiz Mário (Serrado) vive um empresário da noite, bem-sucedido com as mulheres, o tipo do sujeito que tem várias namoradas e não quer se envolver seriamente com ninguém. Em certo dia de sol, ele esbarra acidentalmente com a carioca Malu e vai se apaixonando. A paixão vira amor, o amor vira casamento, o casamento vira insegurança, a insegurança vira ciúme, e por aí vai.

O filme se utiliza de situações cotidianas comuns: a diferença de estilos entre cariocas e paulistas, o medo de o parceiro fazer coisas erradas de que você próprio seria capaz e a cafajestagem típica de um homem solteiro de 30 e tantos anos. Apesar de parecer uma sequência de clichês, o que “Malu de bicicleta” faz é explorar a construção de um relacionamento com humor, bons diálogos, atuações consistentes e cenas muito bem filmadas, como a da primeira transa entre os protagonistas.

 

JAMILLE MENENZES [F&M Procultura]

 

Adaptação de livro de Marcelo Rubens Paiva foi o destaque desta terça

“Malu de Bicicleta” foi exibido pela primeira vez na noite de ontem na terceira edição do Paulínia Festival de Cinema. Misto de comédia romântica e drama, o filme conquistou o público presente e foi bastante aplaudido no final da sessão

O diretor Flávio Ramos Tambellini, o roteirista Marcelo Rubens Paiva e parte do elenco, entre eles os protagonistas Marcelo Serrado e Fernanda de Freitas, subiram ao palco do Theatro Municipal de Paulínia antes da exibição do longa e dedicaram o filme ao ator Marcos Cesana, morto há dois meses. O diretor confessou estar nervoso. “A cópia ficou pronta semana passada e veio direito para Paulínia”.

“Malu de Bicicleta” narra a história de Luiz Mario, empresário paulista e mulherengo que se apaixona pela carioca Malu ao ser atropelado por ela na orla do Rio de Janeiro. “O filme é uma história patética de amor, dessas que todos nós passamos. Amar é duro”, disse o ator Marcelo Serrado. “Queria que o público se libertasse um poucos dos rótulos. O longa é engraçado, mas tem uma parte do filme que é bem dura. Ele não é apenas uma comédia romântica, é cinema”, decretou o autor do livro e roteirista Marcelo Rubens Paiva.

 

 

É, parece que gostaram.

Que bom…

O Paulínia Festival de Cinema ACABA HOJE, quinta (22).

Confira programação completa no site: www.culturapaulinia.com.br.