estreia

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Marcelo Rubens Paiva

04 de fevereiro de 2011 | 12h56

Hj enfim estreia MALU DE BICICLETA nos cinemas.

Nosso trabalho acabou: roteiro, reuniões, captação, pré-produção, locações, casting, ensaios, filmagens, cortes, edição, festivais, pré-estreias.

O filho está solto no mundo.

A crítica tem elogiado.

Me orgulho muito do filme que fizemos.

Do jeito que bolamos.

Sem apelações, com uma direção, fotografia e elenco primorosos. Só de amigos.

Quer coisa melhor do mundo do que trabalhar e rir com os amigos?

Apareça…

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No ESTADÃO hj:

Feito para divertir. E diverte

Elenco afiado e bons diálogos fazem a comédia romântica de Flávio Tambellini ser uma delícia

04 de fevereiro de 2011 | 0h 00

Luiz Zanin Oricchio – O Estado de S.Paulo

Não existem gêneros malditos e, para quem acredita em diversidade, uma comédia romântica, com possibilidade de diálogo com o público, pode ser mesmo um bom programa. É o caso de Malu de Bicicleta, filme baseado no livro de Marcelo Rubens Paiva (cronista do Caderno 2) e dirigido por Flávio Tambellini.

David Peixoto/Divulgação
David Peixoto/Divulgação
Química. Serrado e Fernanda de Freitas

O engraçado é que a história revive de forma sutil a surrada dialética entre São Paulo e Rio. Luiz Mário (Marcelo Serrado) é o galinhão paulista, empresário da noite que, perseguido por uma ex-namorada, resolve dar um tempo no Rio. Na ciclovia, é atropelado (no sentido literal e metafórico) por uma beldade carioca – a tal Malu, vivida e muito bem encarnada por Fernanda de Freitas. Começo de uma história de amor, desenvolvida entre as duas cidades e conturbada por cenas de ciúmes e traições reais ou imaginárias.

O que salva tudo isso do óbvio? Humor sutil, bons diálogos, um elenco afiado, tudo isso sob coordenação de uma direção que não faz questão de se exibir. Tambellini sabe que não está fazendo “filme de arte”. Precisa se comunicar. Deixar a história fluir. Tudo parece simples. E é. Sem ser simplório, que é sempre o risco quando se deseja fazer algo de fato voltado para o público.


Há a dupla de protagonistas, que funciona muito bem. Tem química. Serrado faz o tipo meio cafajeste de conquistador, mas ao mesmo tempo carente, o que lhe rende tempero irresistível para as moças. Curiosas a respeito do conquistador e, ao mesmo tempo, dispostas a acabar com sua carreira. Fernanda tem beleza meiga, nada agressiva, mas que não deixa indiferente o sexo oposto. É crível que se tenha ciúmes de tal criatura. Ainda mais quando se tem a cabeça sempre cheia de más intenções, como é o caso do personagem Luiz Mário. O ciúme, no mais das vezes, é apenas isso: projeção sobre o outro daquilo que meio inconscientemente desejamos, isto é, dar uma puladinha de cerca. O filme não ignora esse fato psicologicamente claro: Luiz Mário é inseguro porque, sendo um predador, vê em cada homem o semelhante de si mesmo.

Inútil dizer que Malu de Bicicleta não insiste muito nesse mundo psicológico do seu protagonista. Ele fica implícito, de maneira a não atravancar o andamento da comédia romântica, que é o que interessa. A “mensagem”, se existe, vem de maneira subliminar.

Se o duo principal toca por música, a verdade é que alguns coadjuvantes roubam cenas. Maria Manoella, como a namorada ciumenta e violenta, está muito divertida. E o grupo de amigos de Luiz Mário, que o ajudam a tocar a casa noturna e funcionam como mix de conselheiros e seguranças, responde por alguns dos momentos mais divertidos. Entre eles, o grande ator Marcos Cesana, que morreu em maio.
MALU DE BICICLETA
Direção: Flávio Tambellini. Gênero: Drama (Brasil/2009, 90 min.). Censura: 14 anos. Cotação: Bom.

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Na FOLHA hj:

CRÍTICA COMÉDIA ROMÂNTICA

Tambellini acerta em gênero pouco usual no cinema brasileiro

A comédia romântica “Malu de Bicicleta” não se deseja profunda, mas tampouco apela ao humor escrachado

ANA PAULA SOUSA
DE SÃO PAULO

Produtor com longuíssima ficha de serviços prestados ao cinema brasileiro, Flávio Tambellini ainda não tinha conseguido, como cineasta, encontrar sua própria voz -no caso, a própria câmera.
Os dois primeiros longas-metragens do diretor, “Buffo e Spallanzani” (2001) e “O Passageiro – Segredos de Adulto” (2006) tiveram recepção morna e não pareciam preconizar a constituição de uma obra, no sentido autoral do termo.
Mas eis que Tambellini, ao 59 anos de idade e com um orçamento mínimo, de R$ 1,3 milhão, a seu dispor, conseguiu acertar a mão.
“Malu de Bicicleta”, que tem como ponto de partida o livro homônimo de Marcelo Rubens Paiva (“Feliz Ano Velho”), vem preencher uma lacuna da produção brasileira: a dos filmes leves, mas não necessariamente rasos, a dos filmes românticos que se querem, apenas, mais uma história de amor.

RISO E MELANCOLIA
A sinopse de “Malu de Bicicleta” se prestaria a qualquer comédia romântica de Meg Ryan e companhia. A trama, basicamente, acompanha o encontro entre o paulistano Luiz Mário (Marcelo Serrado), empresário da noite, mulherengo inveterado, e a carioca Malu (Fernanda de Freitas), dona de espírito livre e ar moleque.
Os dois se trombam quando ela, andando de bicicleta pelo Leblon, quase atropela o namoradeiro que, mal o filme começa, descobrimos em crise existencial.
Com esses ingredientes básicos à disposição, Tambellini compõe uma narrativa que, a partir dos tiques sociais dos personagens, nos dá um pequeno retrato do amor nos tempos da velocidade. Mesmo quando decide se entregar, o “paulista” tropeça nas armadilhas de seu estilo de vida.
Mas a Tambellini não interessa a averiguação psicanalítica dolorida. O que ele faz é brincar com os clichês amorosos, é rir com certa melancolia. E como o encontro entre os atores Serrado e Freitas funcionou, funcionam também os diálogos entre eles.
Apesar dessa “química”, as cenas mais engraçadas se dão quando a tela é ocupada pelos atores que o diretor foi pegar nos palcos.
O trio de seguranças vivido por Thelmo Fernandes -que repisa o bordão “Trair antes de ser traído”-, Marcos Cesana (1966-2010) e Otávio Martins é atrativo à parte.
A cena que eles protagonizam com a atriz Maria Manoella resume o ar que Tambellini quis imprimir a essa história de amor: temos todos um quê de patéticos quando o assunto é paixão.

MALU DE BICICLETA

DIREÇÃO Flávio Tambellini
PRODUÇÃO Brasil, 2010
COM Marcelo Serrado, Fernanda de Freitas, Marjorie Estiano
ONDE nos cines Livraria Cultura, Frei Caneca Unibanco, Jardim Sul e circuito
CLASSIFICAÇÃO 14 anos
AVALIAÇÃO bom

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