esses são bons

esses são bons

Marcelo Rubens Paiva

08 de março de 2010 | 12h18

Humilharam o povo de Pandora, planeta com vastas florestas, os avatares, de pele azulada, monogâmicos e herdeiros dos hippies, ecologicamente corretos, que dormem em árvores que têm sentimentos e repousam sobre grandes jazidas.

O Oscar foi para aquele filme chato que dói, GUERRA AO TERROR, dirigido por uma mulher, K. Bigelow, alta como uma avatar, a primeira diretora de saias a ganhar uma estatueta de direção.

Filme de guerra tudo a dever aos grandes clássicos como PATTON, CANHÕES DE NAVARONE, A GRANDE ESCAPADA, APOCALIPSE NOW, FULL METAL JACKET e tantos outros que angariam fãs e nos fazem pensar.

Um episódio de BAND OF BROTHERS ou GENERATION KILL, da HBO, é mais intenso e bem dirigido do que GUERRA AO TERROR.

Mas e a culpa?

Ah, sentimento que estrangula os americanos e membros da Academia, e que os obriga a sempre passar a história a limpo, reafirmar seus princípios, repensar seus métodos, e a homenagear os heróis que tombarem pelos erros dos outros e o direito de todos desfrutarem as delícias do mundo livre.

Erraram ao exigir em histeria a guerra. Perceberam tarde demais. É mais fácil entrar numa guerra do que sair dela.

E homenageiam o filme que humaniza o soldado desmontador de bombas, com narrativa bacana, longo demais, nada surpreendente, filme que quase passou desapercebido.

Não se avaliou o cinema, as ousadias, mas os pobres coitados que salvaguardam o direito de livre expressão, e premiaram uma mulher pela primeira fez.

Por que não deram antes para Sofia Copolla?

Ora, não me façam perder quase 3 horas.

Então mudem o nome da estátua para OLGA e convidem os fuzileiros para a cerimônia. Mas foquem a premiação no cinema. “A Olga vai para…”

E esses argentinos hein?

Não bastam invadir Búzios e Floripa.

Já ganharam 2 Oscar, 1 Nobel, 22 Libertadores. E nós, com 4 vezes mais de gente?

Ganhamos mais Grammy. Mais copas do mundo. E nossas praias e frutas são mais exóticas.

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O SEGREDO DOS SEUS OLHOS, do Campanella, é um filmaço. Uma história intrincada, perturbadora, com uma produção impecável.

Repare na cena do estádio. Explique seus efeitos e o voo da câmera. Como fizeram aquilo?

Perceba o olhar do assassino para o decote da promotora, o que a leva a condená-lo, no momento em que estava quase convencendo da sua inocência.

Filme de amor eterno. Com pitada de História.

Até o melodrama, como a cena do trem, fantasiosa e exagerada, é desmontada em seguida.

Não vou falar muito. Só uma coisa. Esses argentinos são bons de carne, doce de leite e cinema…