Escolas particulares devem fechar sexta-feira

Marcelo Rubens Paiva

26 Abril 2017 | 11h45

Não se sabe o alcance da Greve Geral contra a Reforma da Previdência e Trabalhista (PL 6787 e PL 4302), agendada para sexta-feira.

Ambos projetos de lei estão em debates acalorados no Congresso, sindicatos e centrais sindicais.

Alguns setores costumam aderir em massa a protestos semelhantes, como bancários e transportes.

Escolas públicas e privadas prometem parar.

O Sindicato dos Professores de São Paulo (SinproSP), independente, apoia a manifestação marcada para sexta-feira, dia 28.

Professores da rede estadual, através da associação (Apeoesp), convocou os docentes para ato no Largo da Batata.

Já o sindicato que representa professores da rede municipal (Sinpeem) marca ato para às 15h na Prefeitura.

 

Há dois dias, a Abepar (Associação Brasileira de Escolas Particulares) soltou uma nota criticando a adesão das escolas:

“São manifestações legais e aceitáveis nas sociedades democráticas, previstas inclusive na Constituição Federal. As liberdades democráticas, que incluem a liberdade de reunião e opinião, constituem pilares indispensáveis das democracias e assim devem continuar a sê-lo. Importante, no entanto, assegurar que o direito legítimo à manifestação pública não se faça em detrimento do direito de outros cidadãos em garantir a seus filhos a possibilidade de frequentar a escola nos dias letivos previamente marcados.

“Na atividade docente, o aluno deve estar sempre em primeiro lugar. A hipótese de interrupção das aulas nas escolas particulares no próximo dia 28 de abril, proposta pelo Sindicato dos Professores de São Paulo (SinproSP), não é aceitável para a Associação Brasileira de Escolas Particulares (Abepar).”

Grandes escolas particulares paulistanas têm mandado comunicados de que irão aderir à greve.

Algumas nem concordam com o movimento, mas respeitam o direito de greve, como o Colégio Santa Cruz.

Outras respeitaram a decisão da maioria em assembleias, como o Lourenço Castanho.

O Palmares resolveu suspender as aulas, temendo um caos na cidade.

Segundo SinproSP, entre as que irão parar, estão escolas em bairros nobres da cidade, como:

Santa Cruz

Vera Cruz

Oswald de Andrade

Gracinha

Grão de Chão

Recreio

Esquipe

São Domingos

Escola Viva

Hugo Sarmento

Ítaca

Lourenço Castanho

Carlitos

São Luís

Rainha da Paz

Anglo 21

Ofélia Fonseca

Alecrim

Entre outras

 

O Alecrim, pré e escola do ensino fundamental do Sumaré, soltou uma carta aberta e enviou os pais, que talvez resuma o sentimento da categoria.

E avisou que fará rodas de conversa na sexta-feira, de manhã, numa praça perto da escola, Horácio Sabino, para “aprofundar o diálogo na equipe e com a comunidade, a fim de promover um debate maduro sobre estes assuntos que consideramos tão pertinentes à nós educadores e à sociedade como um todo”.
São Paulo, 23 de abril de 2017

Carta aberta à comunidade escolar da Alecrim

Nós, trabalhadoras e trabalhadores da Alecrim, iniciamos no mês de abril uma série de reuniões para discutir e nos posicionar sobre as reformas trabalhista (PL 6787) e previdenciária (PEC 287) e sobre a regulamentação da terceirização (PL 4302) propostas pelo atual governo. Entendemos que essas medidas, tomadas sem qualquer diálogo com a sociedade, afetam diretamente a qualidade da educação que oferecemos à nossa comunidade, uma vez que atingem as condições de trabalho dos profissionais desta escola. Além disso, nosso posicionamento está de acordo com a educação na qual acreditamos: democrática, dialógica, reflexiva e que valoriza as diferenças.

Consideramos que essas propostas (fim da aposentadoria por tempo de contribuição, exigência de 40 anos de contribuição para a aposentadoria integral, fim da aposentadoria especial dos professores, entre outros retrocessos) são afrontas aos direitos dos trabalhadores, conquistados arduamente por meio de diversas lutas travadas historicamente. Compreendemos também que a proposição de tais medidas em conjunto e de forma tão acelerada visa dispersar a oposição naturalmente suscitada entre os trabalhadores e as trabalhadoras deste país em diversas frentes.

É consenso em nossa equipe o posicionamento desvinculado de qualquer partido institucional contra todas as reformas citadas. Portanto, por não aceitarmos a perda desses direitos, acolhemos a orientação de greve ao longo do dia 28 de abril (sexta-feira) proposta por diversos movimentos sociais e sindicatos. Esse será um dia de protesto nacional que reunirá trabalhadores de várias categorias profissionais, inclusive das escolas particulares, que entendem ser de vital importância uma mobilização coletiva para pressionar o governo, com o objetivo de se contrapor ao atual processo impositivo de medidas incalculavelmente retrógradas em relação aos direitos trabalhistas. Entendemos a necessidade de alterações na legislação trabalhista, principalmente a fim de ampliar seu alcance quantitativo e qualitativo, mas é preciso que sejam feitas com debates junto à sociedade civil e não para beneficiar aqueles que já são política e economicamente privilegiados.

Compreendemos as dificuldades que uma paralisação pode trazer à comunidade escolar, mas não podemos deixar de agir neste momento tão delicado. Estamos abertos ao diálogo e esperamos que esse momento de luta nos proporcione a garantia dos direitos trabalhistas e previdenciários para a nossa geração e as futuras.

Funcionárias e funcionários da Escola Alecrim