escola de tortura vira hotel 5 estrelas

escola de tortura vira hotel 5 estrelas

Marcelo Rubens Paiva

10 de julho de 2013 | 10h38

ANTES

 

 

A Escola das Américas, antigo centro de treinamento de tortura no Panamá mantido pelos EUA, que durou até meados dos anos 1980, virou agora o Meliá Panamá Canal, hotel cinco estrelas comercializado por uma cadeia espanhola:

http://pt.melia.com/hoteis/panama/colon/melia-panama-canal/home.htm

 

DEPOIS

 

Segundo descreve o site do hotel, cuja diária gira em torno de R$ 200:

A Antiga Escola das Américas se transformou em um hotel 5 Estrelas, o Hotel Meliá Panamá Canal, oferecendo elegância e conforto em suas instalações. Este hotel em Colón se encontra às margens do Lago Gatún e a apenas 10 minutos da Zona Livre de Colón. O Meliá Panamá Canal conta com o cenário perfeito para o desenvolvimento de atividades como: tours de aventura em lugares históricos e turísticos; ecoturismo; passeios de bicicleta, canopy, caminhadas ecológicas ou senderismo, onde você poderá observar a exuberante e diversa flora e fauna do entorno de nosso hotel em Colón, passeios em Catamaranes pelas tranquilas águas do Lago Gatún, pesca esportiva, passeios guiados pelo lago em motos de água ou de bote, o primeiro Golf Driving Range sobre a Água no Panamá, compras, praias do Caribe e muito mais. Venha comprovar com seus próprios olhos que o Paraíso existe no Hotel Meliá Panamá Canal!”

Escola das Américas era gerenciado pelo Pentágono para treinar oficiais aliados e anticomunistas e manter firme o continente sob seu domínio, numa América Latina envolta em turbulência social e guerras de guerrilha.

O senador democrata Martin Meehan, de Massachusetts, disse uma vez: “Se a Escola das Américas decidisse celebrar uma reunião de ex-alunos, reuniria alguns dos mais infames e notórios malfeitores do hemisfério”.

A junta argentina do general Leopoldo Galtieri, os presidentes e ditadores tais como Roberto Viola, o boliviano Hugo Banzer, Rios Montt da Guatemala, Augusto Pinochet e o ditador equatoriano Rodríguez Lara estão entre os graduados.

O complexo perto da cidade portuária de Colon foi cunhado pelo jornal panamenho Prensa de  “Escuela de Asesinos”.

General Roberto D’Aubuisson de El Salvador,  cujos esquadrões assassinaram  o arcebispo Oscar Romero, Manuel Noriega, generais do Paraguai e Chile, assim como muitos brasileiros, passaram por ela.

Na lista de oficiais brasileiros, estão o Major Bismarck Baracuhe Amancio Ramalho, Capitão Thaumaturgo Sotero Vaz, Capitão Wilson Benito Machado e o Coronel João Paulo Moreira Burnier, acusado de ser um dos chefes da tortura no RJ.

Burnier foi seu aluno entre 21 de agosto e 7 de dezembro de 1967.

Lista completa, no site:

http://www.documentosrevelados.com.br/nome-dos-torturadores-e-dos-militares-que-aprenderam-a-torturar-na-escola-das-americas/escola-das-americas-estudantes-e-instrutores-do-brasil-periodo-de-1954-1996/

Ao todo, milhares de militares de 23 países passaram pela Escuela de las Américas.

Manuais ensinavam técnicas de interrogatório, tortura, execuções simuladas.

 

A ESCOLA NO FILME ESTADO DE SÍTIO

 

“A Escuela de las Américas era um bastião dos Estados Unidos”, lembra José Miguel Guerra, um dos mais prestigiados jornalistas no Panamá, para o jornal suíço Neue Zürcher Zeitung. “Aqui, os militares de toda a América Latina, com exceção de Cuba, eram doutrinados pelo Pentágono para ter o controle político sobre seus países.”

O prédio começou como hospital no começo do século passado, onde trabalhadores da construção do Canal do Panamá recebiam tratamento médico. A partir de 1946, passou a ser controlado pelos EUA como Fort Gulick.

O novo proprietário do hotel, Barceló Damián, concebeu para simbolizar a nova era um mosaico na entrada do hotel com os dizeres  “Et in terra pax”.

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