Eleições apertadas

Eleições apertadas

Marcelo Rubens Paiva

30 de outubro de 2014 | 22h07

 

Eleição apertada não é exclusividade nossa.

Muitas eleições americanas são decididas voto a voto.

Kennedy x Nixon. O primeiro ganhou apertado em 1960.

A diferença foi de 112 mil votos.

Kennedy: 34.220.984      (49,7%)

Nixon: 34.108.157    (49,6%)

Kennedy perdeu na maioria dos estados (22 contra 26 do candidato republicano)

Ganhou no colégio eleitoral.

A de George W Bush foi decidida pela Suprema Corte.

Obama, eleito com 51,42%.

Hollande, eleito com 51,62%.

Dilma, reeleita com 51,64%

No final das contas, Dilma teve mais votos no Sudeste (20.931.961) do que no Nordeste (20.175.484)

Sai uma oligarquia, entra outra.

Não se iluda: todo Estado é oligárquico.

Raymond Aron escreveu em Démocratie et Totalitarisme (Gallimard): “Não se pode conceber regime que, em algum sentido, não seja oligárquico”.

As práticas dos governos oligárquicos que podem ser denominadas mais ou menos democráticas.

O governo democrático é ruim quando se deixa corromper pela sociedade democrática que quer que todos sejam iguais e que todas as diferenças sejam respeitadas.

E é bom quando mobiliza os indivíduos apáticos da sociedade democrática para a energia da guerra em defesa dos valores da civilização, aqueles da luta das civilizações.

O filósofo francês Jacques Rancière quem disse isso:

Os males de que sofrem nossas “democracias” estão ligados em primeiro lugar ao apetite insaciável dos oligarcas.

Não vivemos em democracias. Vivemos em Estados de direito oligárquicos, isto é, em Estados em que o poder da oligarquia é limitado pelo duplo reconhecimento da soberania popular e das liberdades individuais. 

Democracia não é brinquedo.

A disputa é quase sempre acirrada.

Raramente ocorre um 7 x 1.

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