Dar sentido aos minutos

Dar sentido aos minutos

Marcelo Rubens Paiva

28 de fevereiro de 2009 | 13h12

A grande massa conheceu o poeta e performer Michel Malamed pela série CAPITU. O talentoso amigo fez o neurótico e ciumento Bentinho adulto. Mas Melamed é mais do que apenas o protagonista de uma série global.

Há tempos, produz espetáculos surpreendentes, imperdíveis e instigantes. Como REGURGITOFAGIA, em que levava choques de acordo com a interatividade da platéia, num stand-up poético e conceitual. Se ríssemos, ele sofria. Um paradoxo direto do papel do ator-poeta-palhaço. A peça, de 2004, ficou anos em cartaz, foi pra NY e virou livro.

Agora, ele REaparece com o show HOMEMÚSICA, que estreia dia 06/03 no SESC CONSOLAÇÃO. Que seja bem-vindo.

E terça-feira, no MASP, inaugura-se a mostra 1OOO MINUTOS DE 80 PAÍSES. Dessa vez, a brincadeira que dá certo há decadas, FESTIVAL DO 1 MINUTO, e que mobiliza cineastas ou pretendentes, profissionais e amadores, organizada pelo meu amigo de infância e cineasta MARCELO MASAGÃO, do COMOVENTE NÓS QUE AQUI ESTAMOS, POR VÓS ESPERAMOS, traz filmetes de 80 países- você já deve ter sacado pelo título.

EU GASTAREI ALGUNS MINUTOS DA MINHA VIDA ASSISTINDO-OS. JÁ GASTEI COM TANTAS OUTRAS COISAS…

MINUTOS GASTOS COM ATIVIDADES NADA NOBRES. COMO:

passar fio-dental
esperar um elevador
descer num elevador
esperar a conta num bar carioca
assistir a um telejornal, depois do toque de 8 segundos
calibrar os pneus do carro
procurar vagas perto de parques aos fins-de-semana
cortar os cabelos
roer unhas
ficar a espera do atendimento de uma operadora de celular
ficar a espera do atendimento de uma operadora de banda larga
ver comissárias indicar as portas de emergência de um avião
e explicar como se infla um colete salva-vidas
digitar as diversas senhas on-line
lembrar-se delas
esperar paus do Windows
abrir latas
limpar coco de gato

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