Doria proíbe feira do MST

Doria proíbe feira do MST

Marcelo Rubens Paiva

05 de abril de 2019 | 10h03

Doria não colou nem se descolou de Bolsonaro. Mas da esquerda ele quer distância.

Ele cancela em cima da hora uma das festas mais tradicionais da cidade, a Feira Nacional da Reforma Agrária.

Que ocorre em todo mês de maio no Parque da Água Branca.

O evento do MST entraria na sua quarta edição.

São quatro dias em que sem-terra vendem seus produtos agrícolas sem agrotóxico, já conhecidos em muitas vendas da cidade, que levam o selo indireto de Vendinha do MST (no meu bairro, Sumaré, tem duas).

Em 2018, o evento foi visitado por mais de 280 mil pessoas sem distinção ideológica, no bairro que agrega moradores de Higienópolis, Pacaembu, Barra Funda, Santa Cecília, Perdizes, Pompeia, Sumaré, zona oeste e norte.

A um mês da feira, que reúne artistas, shows, debates e monta uma saborosa praça de alimentação, o MST recebeu a notícia de que o parque estadual não a receberia.

O movimento pretende transferir para um espaço municipal, provavelmente o Anhembi, entre 1 e 4 de agosto.

João Paulo Rodrigues, da coordenação nacional da feira, explica num áudio:

“O governo do Estado do governador Doria não liberou o parque, e não dá tempo para fazermos em maio. Faremos em agosto uma feira mais bonita, maior e com mais variedade de produtos, nossas gloriosas atividades culturais e nossa bonita cozinha da reforma agrária. Queríamos reafirmar a importância da nossa feira e o compromisso de mantermos a unidade do nosso movimento.”

A polarização ideológica é uma estupidez.

Enquanto a Prefeitura de Bruno Covas, do PSDB, negocia a feira num dos seus espaços, o atual gestor do Palácio dos Bandeirantes, do mesmo partido, de olho na Presidência em 2022, age com uma descabida grosseria antidemocrática.

ATUALIZAÇÃO

Às 15h06, Assessoria de Imprensa da Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente/Cetesb soltou a nota:

Ao contrário do que a coluna informa, sobre a Feira Nacional da Reforma Agrária ter sido vetada pelo governo por “uma grosseria antidemocrática”, a Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente esclarece que o parecer foi emitido pelo Conselho Gestor do parque, composto por oito membros da sociedade civil, além dos oito representantes da administração pública. O pedido foi protocolado em dezembro e a deliberação ocorreu em fevereiro, baseada no crescimento anual do evento, que tem previsão de receber mais de 200 mil pessoas em 2019 segundo os administradores.

A Pasta também recebeu representantes do MST e a deputada Beth Sahão (PT) a fim de auxiliar na busca por espaços maiores e mais seguros para o tamanho do público. Foram oferecidos os parques da Juventude e Ecológico do Tietê.  Como os organizadores optaram por um espaço municipal, eles foram orientados sobre os trâmites com a Prefeitura. Os membros da secretaria se colocaram à disposição caso houvesse a opção por outro parque estadual.

 

 

 

Atenciosamente,

 

Assessoria de Imprensa

Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente/Cetesb