Diversidade first!

Diversidade first!

Marcelo Rubens Paiva

07 de janeiro de 2019 | 10h26

A verdadeira face da América enfim se revelou na entrega do Globo de Ouro 2019.

Ou melhor, a face anti-Trump.

Me pergunto como reagiria um espectador há 70 anos se visse cenas da cerimônia de ontem. Mas que país é esse?, diria. É a América, meu caro, que a indústria do entretenimento escondeu, e cujas diferenças são abafadas por um puritanismo danoso há mais de cem anos.

Sandra Oh foi a apresentadora. A atriz-comediante de ascendência asiática ficou à vontade diante de um público de nítida diversidade. Ela ainda levou de sobra um prêmio pela atuação em Killing Eve.

Três filmes encabeçados por negros, sobre o racismo, estavam entre as cinco maiores produções indicadas.

Spike Lee ficou injustamente de fora da lista de vencedores. Beleza, perdeu para o mexicano Afonso Cuarón (Roma). Que deveria ter dito no discurso: “Va a la mierda, tarugo, Trump!”

Spike viu Regina King, afrodescendente, estrela de Se A Rua Beale Falasse, derrotar as divas branquelas Amy Adams, Emma Stone, Rachel Weisz e Claire Foy.

Rami Malek e seu Bohemian Rhapsody, a incrível biografia de Freddie Mercury, foram os grandes vencedores da noite em cinema.

Assim como outro drama que também envolve um personagem real gay para a TV: O Assassinato de Gianni Versace.

Green Book, sobre o relacionamento entre o pianista negro (Mahershala Ali) e o motorista branco (Viggo Mortensen) faturou três prêmios: melhor roteiro, melhor ator coadjuvante e melhor filme de comédia ou musical.

O prêmio foi justo com dois veteranos do cinema, Glenn Close e Michel Douglas, que dedicou aos filhos e ao pai, lenda de Hollywood.

A terra das oportunidades, habitada por nativos, cujo território foi sendo ocupado aos poucos por imigrantes de todas as partes, que se expandiu, absorveu porções de outros países, recebeu judeus, católicos irlandeses, protestantes anglo-saxões, árabes, exilados do Leste europeu, imigrantes de tantas guerras, asiáticos, trouxe à força escravos da África e forma hoje um dos maiores territórios multiculturais e raciais do globo enfim deu voz à diversidade.

Inclusive de gênero.

Mas nem tudo foi perfeito.

Justin Hurwitz, de a pior trilha de todos os tempos, de O Primeiro Homem, ganhou seu terceiro Globo de Ouro. Que trilha irritante, amigos.

Num filme (produzido por Spielberg) que se propõe a nos colocar dentro de Eagle, a cápsula que pousou na Lua em 1969, e escutar todos os ruídos, alarmes e o silêncio lunar, uma voz absurdamente piegas dava o tom da música sentimentaloide.

Deu saudades de John Williams.

E, de novo: Spike, tu és um gênio, “broo”. Filmaço!

PS> Parabéns TNT Brasil pela dupla de entrevistadores no Red Carpet, que entende de cinema e consegue cativar os indicados