Dilema da Albânia: maconha ou CE

Marcelo Rubens Paiva

19 Dezembro 2016 | 12h05

A falta de um Estado coerente e uma ordem econômica estável faz da Albânia a maior exportadora de maconha da Europa [para a Europa].

Mas depois que convidada a entrar para a CE [Comunidade Europeia], tudo muda.

A Albânia sempre foi o país cujo sistema político era indefinível: comunista, não stalinista, maoista, ou muito pelo comentário? Nada disso. Desde a virada do milênio, é uma democracia frágil, filiada à OTAN, que rege uma economia em frangalhos, vizinha a uma região envolta em guerras [ex-Iugoslávia, Bósnia, Kosovo, Macedônia].

Em décadas, no país mais fechado do mundo, que não permitia a entrada de estrangeiros, com um enorme contingente de exilados, plantou-se maconha como em nenhum outro.

Famílias de antigos agricultores e clãs não ganham milhares, mas milhões de dólares.

O Estado deixou a farra do plantio ilícito rolar por décadas.

É tanta maconha colhida, que porões não são suficientes para a estocagem. Camponeses passaram a comprar caçambas de caminhões tanques para o armazenamento da colheita.

O ex-Estado comunista, que apontava as drogas como um dos fatores da decadência comunista, passou a fornecer a seus vizinhos capitalistas, que liberam a maconha, competindo com outras economias destroçadas por guerras, como a serva.

Até o país ser convidado para entrar na Comunidade Europeia, esforço da CE de trazer para sua esfera países do antigo bloco comunista, desgarrados e independentes, como a Ucrânia.

A maconha agora passa a ser reprimida pela polícia, numa guerra contra as drogas semelhante a que vemos no nosso quintal: armamento pesado; polícia ninja com táticas militares; apreensão de rifles de repetição, metralhadoras e granadas; gangues se digladiando pelo controle de algumas vilas.

O Channel 4 trouxe uma reportagem completa sobre a nova e surpreendente repressão ao tráfico: