dia 3

dia 3

Marcelo Rubens Paiva

23 de fevereiro de 2011 | 14h55

Dias sem luz.

Desta vez só no meu prédio.

Voltou às 17h de ontem e acabou de novo às 21h.

Voltou hoje às 4h.

Bem, como saí para assistir à pré de BRUNA SURFISTINHA, e achei que o problema tivesse sido resolvido, tive que dormir na rua, pois voltei à meia-noite.  E o prédio sem luz pelo terceiro dia seguido.

Deixa eu tentar explicar uma coisa.

A ELETROPAULO, assim como as empresas que prestam serviços públicos essenciais, PETROBRAS, SABESP, antes eram geridas por profissionais da área.

Passaram a ser fatia de bolo de alianças políticas. Como a disputa recente de FURNAS por PT e PMDB.

Como os CORREIOS foram o pavio do escândalo do Mensalão, pois o PTB de ROBERTO JEFFERSON perdia parte do bolo.

Por isso, molecada, reforma política já!

Quem gere a ELETROPAULO?

Ela é eficiente?

Quem controla a empresa que se transforma numa ELETROMERDA?

As 20 equipes que havia antes para circular pelas ruas, consertando os postes, não viraram 5 equipes, para aumentar o lucro? Ora, quem está sem luz e esperava 4 horas, espera agora 2 dias, 3…

O liberalismo defende que a eficiência do serviço público está nas mãos do mercado.

Entregou parte do bem público para grupos com asas em Brasília.

Só que ninguém controla ninguém, em nome da governabilidade.

E as contradições aumentam.

Se é economia de mercado, posso trocar a ELETROPAULO pela ELETROJOSÉ?

Quero trocar amanhã, rola?

Eletropaulo deu pau.

Ou você acha normal numa cidade como São Paulo os faróis de trânsito piscarem quando há uma chuva? E acha bonita a fiação exposta, os postes atravancando as calçadas, os transformadores explodirem?

Depois olha na conta de luz o valor e os impostos pagos.

+++

Meu mau humor [3 dias sem trabalhar, sem água e luz, e toda a comida da geladeira jogada no lixo] só não é maior, porque até gostei de BRUNA SURFISTINHA.

Filme que me surpreendeu. Tem humor, é delicado, ganhou um roteiro com uma boa curva dramática e com um elenco de apoio sensacional [especialmente DRICA MORAES] e atores da cena teatral paulistana.

A entrega de DEBORAH SECCO é comovente, engordou para o papel, se joga, se expõe.

Daqueles filmes que é até melhor do que o livro. Com um brinde de RADIOHEAD no final.

Deve ser um sucesso e sai com 600 cópias!!!

Num país em que há pouco mais de 2 mil salas. Faça as contas.

Apesar dos produtores demonstrarem, ao pé-do-ouvido, que temem as “cenas fortes”.

Ora, BRUNA SURFISTINHA sem cena forte é como TROPA DE ELITE sem bala traçante.

E lembram-se de DAMA DA LOTAÇÃO, a terceira maior bilheteria do cinema nacional, que só perde para TROPA 2 e DONA FLOR?

+++

Meu mau humor virou bom, porque consegui uma foto não com as dezenas de gatas que participam do filme, mas com o galã cuja participação de 4 segundos sem fala foi aplaudida.

Um talento que ainda vai explodir nas telas.

Dentinho e Cadeirantinho

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