desvendando salinger

desvendando salinger

Marcelo Rubens Paiva

19 Janeiro 2014 | 20h52

 

Não existe biografia definitiva, mas “Salinger”, de David Shields e Shane Salerno, de 2013, torna-se a referência obrigatória para quem, a partir de agora, deseja escrever sobre J. D. Salinger.

A vida dele é narrada através do que se falou e escreveu.

Sabemos que Elia Kazan e Spielberg fizeram de tudo para comprar os direitos cinematográficos de “Apanhador”, livro que foi recusado pela Harcourt (que logo depois recusou “On The Road”, de Kerouac).

Salinger nasceu em berço de ouro na Park Avenue, em Nova York.

Desde cedo, planejou ser escritor, estudou em Columbia e namorou aos 25 anos a musa da boemia nova-iorquina, a ninfeta Oona O’Neill, de 16 anos, filha do já Prêmio Nobel, Eugene. Estourou a guerra. Salinger, judeu, se alistou voluntariamente no Exército e leu nos jornais que a garota por quem ele se apaixonou e com quem dizia que iria se casar o trocou aos 18 anos por Charles Chaplin, de 54 anos.

As relações de Salinger com as mulheres se tornaram dúbias.

Só saía com garotas em idade escolar.

Se algumas delas, como a mãe de sua filha, ultrapassassem os 20 anos, ele partia pra outra. Era visto em New Hampshire, para onde se mudou para fugir do assédio, num Jeep do Exército circulando com adolescentes e os levando para casa para ouvir Billy Holiday.

Segundo trauma: o soldado Jimmy Salinger estava no D-Day na praia de Utah, onde ocorreu uma carnificina no desembarque. Combateu na floresta durante a Batalha de Hürtgen Forest, o sangrento contra-ataque de Hitler. Como oficial da inteligência, foi um dos primeiros a entrar num campo de concentração do complexo de Dachau, com corpos ainda em combustão. “Você não se livra do cheiro de carne humana queimada do seu nariz pelo tempo que viver”, escreveu.

Continuou na Alemanha depois da guerra, para ajudar na caça a criminosos nazistas. Sofreu um colapso nervoso.

Voltou e publicou o conto “Um Dia Perfeito Para o Peixe-banana”, sobre um veterano que se suicida, na revista “New Yorker”, o que abriu as portas do mercado.

Mas o que era para ser redenção, se tornou obsessão.

Leia o texto completo para Vogue:  

http://vogue.globo.com/lifestyle/cultura/noticia/2014/01/vida-alheia-jd-salinger-anjelica-huston-e-morrissey-ganham-biografias.html