desisto

desisto

Marcelo Rubens Paiva

23 Fevereiro 2010 | 14h20

 Matéria do Ubiratan Brasil no ESTADÃO de ontem deu um desânimo danado em quem trabalha com cultura neste PAÍS.

Uma pesquisa realizada pela Fecomércio do Rio de Janeiro descobriu que o brasileiro hoje aumentou a sua ida ao cinema e manteve o mesmo índice de visita ao teatro e shows que em 2007, mas lê menos livros, visita menos exposições de arte e assiste a menos espetáculos de dança.

O levantamento feito em mil domicílios de 70 cidades procurou detectar a visão do brasileiro sobre atividades culturais e o que o leva a procurá-las.

60% das pessoas responderam não ter praticado nenhuma das atividades como ler um livro, assistir a um filme, visitar exposições, ir ao teatro ou a espetáculos de dança. Em 2007, eram 55%.

Problema deles, penso indignado com meus botões.

Apenas 23% disseram ter lido um livro. Em 2007, eram 31% das pessoas consultadas. 60% responderam não ter o hábito da leitura, e 22% afirmaram não gostar de ler.

“A restrição econômica não aparece como determinante, uma vez que apenas 6% confessaram não ter como pagar pelos livros”, escreveu Bira.

38% das pessoas disseram não ter o hábito de frequentar as salas de teatro, e 27% afirmaram não gostar de assistir a uma peça teatral.

 

Os números de 2009:

23% leu um livro

20% foi a um show

18% foi ao cinema

6% viu uma peça de teatro

4% visitou uma exposição de arte

4% assistiu a um espetáculo de dança

 

Qual o hábito cultural mais praticado?

68% responderam televisão.

Precisa comentar?

 

Lembrei-me de um amigo brasileiro que mora em PARIS há anos, reclamando que para xavecar as francesas é preciso ter lido tudo, visto todos os filmes. Que o portfólio cultural é analisado nos primeiros encontros. E que elas são muito cabeça. Precisa de muita concentração nos primeiros encontros. Meu amigo sofre um estresse. Está sozinho há meses.

O que adiantaram as diversas feiras de livros e bienais, investimento pesado que mobiliza todo o mercado na missão de formar público no Brasil?

E as milhares de palestras que dei em escolas e faculdades, sem cobrar cachê? E as linhas gastas em revistas, jornais, blogs, indicando livros, peças, filmes? Qual o papel das escolas, das professorinhas de literatura?

A cultura do brameiro e do abadá predomina. “Vamos pular, sai do chão! Joga este livro fora, deixa de ser nerd!”

Eu desisto. Jogo a toalha. Que fiquem ignorantes os que assim desejam. Que ler, leu.

E vou continuar lendo.

Hoje mesmo, vou ao lançamento do livro do meu amigo MARCELO MIRISOLA.

convMDSF

 

Quarta, tem estreia do Timão na LIBERTADORES. Lá vou eu, favelado-maloqueiro-sofredor, para o estádio!

Quinta, debaterei literatura com MÁRIO BORTOLOTTO e J B MEDEIROS no ITAÚ CULTURAL. Depois tem show do INSTITUTO no STUDIO SP. Se eu aguentar…

E no findi pegarei um cineminha, uma peça e terminarei FILHO DA MÃE, livro do BERNARDO CARVALHO indicado pela MANU, que estou adorando.

+++

Mas há uma esperança. Como a campanha iniciada pelo amigo baiano ROBÉRIO.

Que queimou o primeiro abadá no FAROL DA BARRA logo depois do CARNAVAL.

queima de abada