Da lama aos Caos na literatura

Da lama aos Caos na literatura

Marcelo Rubens Paiva

26 de setembro de 2019 | 10h42

A jornalista Lorena Calábria ficou quatro anos pesquisando e escrevendo sobre Da Lama ao Caos, disco de Chico Science & Nação Zumbi, um dos mais influentes da MPB e do pop mundial.

Ao lançar o livro dias atrás em Olinda e Recife, ficou impressionada como as pessoas da nova geração a agradeciam, queriam saber mais sobre o tema.

“Chico Sciense é como Bob Marley na Jamaica, é cultuado, tem fotos, grafites nas paredes, adesivos em toda parte. O taxista me falava da importância dele.”

Sua estátua no Recife Antigo é ponto turístico, local de peregrinação e, lógico, boemia.

Ela apresentava o Metrópolis, na TV Cultura, em 1993  quando ouviu de longe a banda tocar ao vivo no programa Fanzine, ao lado do seu estúdio, com Otto e Mundo Livre.

Era a primeira vez em que apareciam na TV. No programa em que eu apresentei de 1991 a 1994.

Eu estava em BH, e ouvi falar de um movimento cultural alucinante que surgia em Recife, o Mangue Beat, que praticava uma antropofagia impensável e profana: pegava elementos do maracatu, samba, jazz, funk e devolvia com guitarras de rock pesado.

Era a Nação Zumbi dando suporte ao cativante Chico Science.

Voltei para São Paulo, e com a produção do programa fomos atrás deles. Coincidentemente, todos viriam para cá, para um show no Aeroanta, e se hospedariam com meu colega jornalista, Xico Sá.

O disco saiu pela poderosa Sony, produzido pelo magistral Liminha, produtor dos melhores discos do BRock 80, cuja cena morria aos poucos na Era Collor, da ascensão da democracia e dos alienantes sertanejo e pagode.

Lorena acabou entrevistando Chico em 1996, quando ele voltava de uma turnê da Europa.

E transmitiu pela Band em 2010 o Carnaval ao vivo de Olinda. Viu gente com lama da cabeça aos pés. Era o Bloco Mangue Beat, que desde 1996 se lambuza com argila e sai por Olinda cantando um dos filhos da terra, Chico Science, morto precocemente num acidente de carro besta em 1997.

Da Lama ao Caos era mais do que um disco, descobriu. Era uma ideia. Como foi Tropicália, como foi a bossa nova.

Quando a editora Cobogó pediu para escrever um livro para coleção O Livro do Disco sobre um disco marcante, não titubeou.

Foram mais de 60 entrevistados, que contaram detalhes da infância de Chico, as primeiras festas como DJ, a gravação do disco no icônico estúdio Nas Nuvens, Rio de Janeiro. Até dar na primeira turnê internacional e tocar no Central Park, para delírio da crítica americana.

O livro é lançado quinta, dia 26, em São Paulo, na nova Livraria da Travessa da Rua Pinheiros 513, e sexta na Patuá Discos, na Rua Fidalga, 516.

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