culto à estupidez de Bling Ring

culto à estupidez de Bling Ring

Marcelo Rubens Paiva

19 de agosto de 2013 | 11h10

Sou fã da Sofia Coppola.

Estreou bem e com sorte, já que adaptou o romance VIRGENS SUICIDAS de um dos melhores autores contemporâneos americanos, Jeffrey Eugenides [acadêmico amigo de Foster Wallace e Jonathan Franzen].

Sou dos gostam do vazio existencial de LOST IN TRANSLATION, de personagens que parecem perdidos na comunicação, mas estão na vida e nos projetos de uma sociedade que cultua o vazio em que predomina a opacidade do drama humano.

MARIA ANTONIETA é…fofo.

Trouxe o deslumbre pela futilidade pros dias de hoje. Assim como UM LUGAR QUALQUER.

Tédio, vazio, cegueira pelo consumo, culto à imagem, musiquinha moderna, gente bonita, roupas e sapatos, são marcas do seu cinema.

Mas THE BLING RING extrapolou.

Tem tédio, vazio, cegueira pelo consumo, culto à imagem, musiquinha moderna e gente bonita e imbecil, que rouba bolsas, sapatos e relógios caros de celebridades imbecis, divulga seus feitos em redes sociais e para a turminha de imbecis da escola.

Durante uma hora do filme, o que se vê são mansões facilmente arrombáveis de celebridades de talento duvidoso, como Paris Hilton, Lindsay Lohan e Audrina Patridge, sendo vasculhadas por meninos da classe média alta de Hollywood.

Uma hora de armários e closets vasculhados, pela gangue conhecida como “Eles usam Laboutines”.

Colegiais estúpido como os pais e essas celebridades que deixam diamantes e dólares em gavetas, têm casas sem alarmes, cercas, segurança.

Paris ainda guarda a chave onde? Debaixo do capacho. Boa, gata…

Imagino que todos os arrombadores profissionais e amadores do mundo estejam desembarcando em LA nesta semana.

Para roubar famosos tão relapsos.

Avisa na quebrada que tem Rolex dando sopa em criado-mudo em BEVERLY HILLS.

LUIZ ZANIN já tinha advertido nas páginas do ESTADÃO [foi até generoso]:

“Como crônica de costumes, Bling Ring é interessante. Mas, como acontece com frequência no cinema de Sofia, ela não mostra estômago para descer mais fundo nos problemas. Não é uma mergulhadora. Às vezes esse nado de superfície funciona, como em Encontros e Desencontros, talvez seu melhor trabalho. Outra, nos deixa com uma sensação de desapontamento ao final, como é o caso deste Bling Ring, que em mãos mais ambiciosas poderia ser um raio-X poderoso da alienação contemporânea, mas com Sofia revela-se apenas uma interessante crônica de costumes, e pouco mais.”

THE BLING RING tentou mostrar o que o cinema americano já cansou de mostrar, como em LESS THAN ZERO, baseado no livro ícone dos anos 1980 do meu colega EASTON ELLIS.

Só que do ponto de vista dos maiores idiotas do falido sistema de ensino americano.

Na verdade, a melhor parte do filme não aparece.

Seria interessante ver esses descerebrados nas cadeias, convivendo com traficantes mexicanos e colombianos.

Todos em síndrome de abstinência de grifes e de laranja.

A única coisa que vale é ver como Emma Watson cresceu.

A ex-garotinha de Harry Potter, Hermione, se tornou uma atriz sexy, com olhos de ressaca de metanfetamina e um futuro promissor.

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