CORLEONICES

CORLEONICES

Marcelo Rubens Paiva

23 de dezembro de 2010 | 14h43

Agora que aprendi a baixar filmes, revejo muitos daqueles que marcaram a minha vida. Afinal, entre a chuva e o trânsito de Natal, a melhor coisa é ficar em casa.

Claro que parto do princípio de que é melhor rever obras de diretores na sequência.

Kieslowski, Sokuroc e Antonioni já foram revisitados.

Continuo achando THE PASSANGER com Jack Nicholson [foto acima] o melhor filme de ANTONIONI. Sem contar o plano sequência de 15 minutos sem cortes no final, das melhores cenas já produzidas.

E descobri que o roteiro de ZABRINSKI POINT é também de SAM SHEPARD. Trilha de uma banda ainda desconhecida na época chamada PINK FLOYD.

Aliás, em 1995 fui para o DEATH ALLEY com a ex-mulé, só para conhecer as locações.

Depois de ver TETRO no cinema, de Francis Ford COPPOLA, e odiar, apesar dos elogios, decidi rever sua fase anos 80, como ONE FROM THE HEART, RUMBLE FISH e THE OUTSIDERS, uma espécie de acerto de contas com a sua juventude.

OUTSIDERS [VIDAS SEM RUMO] tem o melhor casting teen já reunido. Música do seu pai. E lançou atores que são os ícones da indústria e que deixaram as menininhas passadas. Olha a lista:

MATT DILLON

BOB LOWE

EMILIO STEVEZ

PATRICK SWAYZE

RALPH MACCIO

TOM CRUICE [num papel secundário]

Todos jovenzinhos rebeldes.

Até TOM WAITS aparece numa ponta com duas falas.

A história é de duas gangues, os “greasers”, garotos pobres que moram na parte norte de uma cidade, e os “social”, os riquinhos que têm carros e as melhores garotas.

São duas gangues que se enfrentam numa luta com mortes. Numa evidente simulação da luta de classes teen de uma sociedade radicalmente competitiva.

Interessante que o elenco que se destacou [acima] era dos greasers, bad boys. O casting dos socials continua desconhecido.

Já TETRO é insuportavelmente longo.

Bobo, chato.

Fala de um filho de um famoso pai compositor, sufocado pela fama do mesmo. Seria autobiográfico?

COPPOLA morou em BUENOS AIRES para fazer o filme, mas envergonha a qualidade do cinema argentino. Em que 2 irmãos ficam famosos por escrever uma peça de teatro que era exibida num teatro menor que o SATYROS 2. Já que ALONE [CARMEN MAURA], a crítica “mais poderosa da América do Sul”, uma BARBARA HELIODORA mais jovem, os descobre.

Incrível como COPPOLA perdeu a mão.

E como a Argentina [com seu ótimo cinema] não o inspirou.

É uma pena…

Pelo menos deixou a filha para continuar a sua saga corleônica.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: