Convoquem o barbeiro e o garçom para a CPI

Convoquem o barbeiro e o garçom para a CPI

Marcelo Rubens Paiva

31 Julho 2015 | 11h45

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Há algo de podre no reino do Legislativo brasileiro.

Soberba, arrogância, anarquia ideológica, pretensão.

Doença que avança há anos e ataca como uma metástase a combalida saúde do Brasil.

A pressão sobre a advogada criminalista BEATRIZ CATTA PRETA, que defende [defendia] delatores da Lava Jato, é a maior aberração jurídica no país em que se ultrapassou todos os limites da ética na política.

Primeiro, porque ela não cometeu nenhum crime e não é réu, mas o defende.

Segundo, óbvio, porque é uma mulher.

Que ousaria chamar grandes criminalistas para depor, ameaçar a integridade de bacharéis homens?

A “gangue” que age no Congresso em torno do seu presidente não conhece princípios fundamentais da Constituição.

A inversão de papeis e a confusão sobre estado de direito revela um parlamento atordoado entre cultos, rezas e paranoia, medo de ser pego [delatado].

Só falta então convocarem o garçom, para saber o que foi dito no balcão de bar, sob o efeito de um 12 anos, e de onde veio a gorjeta deixada sobre a fórmica.

Ou o barbeiro, para saber se algum dado foi solto entre o resultado da rodada do Brasileirão e a troca de informações sobre se vai dar praia no fim de semana.

Talvez a professora da escola dos filhos, a manicure, o porteiro, o taxista, o padeiro, o motoboy, o caixa de banco, o farmacêutico, o entregador de pizza tenham informações valiosas sobre propinas pagas por grandes empreiteiras a uma das maiores petrolíferas do mundo.

E em seus honorários encontram-se pistas de um dos maiores escândalos financeiros do país.

Sem contar o fato de todos eles terem que prestar contas da gorjeta que receberam.

Ninguém peita o Congresso, porque tem imunidades.

Quantos picaretas se instalaram por lá?

Eram 300 na músicas dos PARALAMAS.