Contradições brasileiras

Contradições brasileiras

Marcelo Rubens Paiva

05 de fevereiro de 2009 | 12h24

Meu sobrinho Patrick tem 17 anos. Nasceu no Brasil, mas se mudou para a França ainda bebê. Vem para cá todos os anos. Fala e lê em português. Ama o Brasil, se orgulha de ser um de nós e, como um francês, fala muito em política.

Quer estudar Ciência Política. Acompanha o noticiário. E levantou por e-mail um debate na família, depois que soube dos índices de aprovação recorde de Lula, que não vi nenhum analista político daqui levantar.

“O que aconteceu com o Brasil?! Gostaria de entender o que aconteceu no Brasil?! 80% dos Brasileiros atrás do presidente em dezembro, e agora o PT perdeu as Câmaras?! Eu me lembro de uma frase de um de vocês durante as férias: ‘O povo gosta do Lula, mas não do PT’. Isso se confirma? Ou é mais complicado? Beijos, Patrick.”

Se ele souber que o PSDB apoiou a candidatura do petista Tião Viana para a presidência do Senado, e que o partido base do governo, o PMDB, lançou um candidato adversário, desiste da carreira?

A política brasileira é imprevisível, como o nosso verão.

A resposta à indagação dele é simples: O Lula não é mais apenas o PT. Trabalha para ser um líder acima dos conflitos partidários. Deseja ser um líder do e para o Brasil. E isso não é de hoje.

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